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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Les Arts Décoratifs

Escarpins de couro branco, coleção primavera-verão 1998, Benoît Méléard por Jérémy Scott

O museu Les Arts Décoratifs, em Paris, localizado próximo ao Musée du Louvre, sedia a exposição Animal até novembro. A proposta é apresentar como os animais, selvagens ou domésticos, servem como inspiração na vida do homem em mais de 400 obras.

A mostra confronta os estilos e as épocas sob um ângulo dos animais no mobiliário, na moda, em tecido, jogos, brinquedos, cartazes, joias que revelam o modo múltiplo no qual o homem se apropria do animal e o integra à decoração cotidiana. Há algumas, inclusive, de gosto bastante duvidoso.

Bule de porcelana (1833)
Na exposição, é possível ver obras que foram desenvolvidas a partir da forma do animal, já que o corpo dele se revela uma fonte de adaptações aos objetos do nosso cotidiano. Há ainda estátuas feitas de porcelana com motivos animais que datam do século 18 ou até mesmo as esculturas de bronze do século 19.

O animal também é usado em cartazes e na publicidade, tal como o carro da Peugeot, que combina o poder do leão. O museu vale a visita principalmente por seu espaço, por sua arquitetura. E o local não resume-se a esta mostra, já que sempre há mais de uma acontecendo simultaneamente.

A exposição pode ser visitada de terça a domingo, das 11h às 18h, sendo que às quintas fecha às 21h. O ingresso custa 9 euros.

Les Arts Décoratifs 107, Rue de Rivoli, 75001, Paris, Tel.: (33) 01 4455-5750

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Vizcaya Museum & Gardens


Miami não é feita apenas de compras e vida noturna. Há muita arte espalhada, seja no Art District ou até mesmo no museu, como é o Vizcaya Museum & Gardens, em Downtown. O local é uma ótima oportunidade para quem quer revisitar a arte decorativa que faz a mistura de arte barroca com Louis XV, que dá muito certo.

Construído pelo industrial da agricultura James Deering entre 1914 e 1916 para ser sua residência de inverno, o Vizcaya Museu & Jardins é formado pela casa principal, 10 acres de jardins e mata nativa.



A casa foi desenvolvida em estilo europeu adaptada ao clima subtropical do sul da Flórida. Quando Vizcaya estava sendo construída, nos anos 1920, a população de Miami era composta por cerca de 10 mil pessoas. Mais de mil estavam empregados no projeto. Boa parte da decoração (incluindo mobiliário, luminárias e portas) foi comprada pelo proprietário durante suas expedições pela Europa. É por isso que Vizcaya tem uma das mais finas coleções de arte decorativa europeia dos séculos 16 ao 19.

Deering morreu em 1925 e, em 1926, o furacão que devastou Miami estragou boa parte da casa. Em 1952, porém, ela passou por restauração e foi aberta para ser um museu. Ao todo, são dois pisos que podem ser visitados e cada um dos 34 ambientes possui explicações em inglês e espanhol. Os jardins combinam elementos da Renascença italiana e francesa. Destaque para a incrível vista para a Biscayne Bay, onde há pessoas remando caiaques e aproveitando o clima da cidade.

Para visitar, o ingresso custa 15 dólares, sendo que crianças de 6 a 12 anos pagam 6 dólares. A partir de 62 anos, o preço é 10 dólares.

Vizcaya Museum & Gardens 3.251 South Miami Avenue, Miami

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Exposição Claude Monet

Femme au jardin
Faz 30 anos que Claude Monet, um dos mais importantes pintores do impressionismo, não recebe uma homenagem como a mostra que está atualmente em cartaz no Grand Palais, em Paris. Organizada pela Reunião de Museus Nacionais e pelo museu D'Orsay, a exposição traz mais de 150 obras do artista vindas de diversos museus da França, como L'Orangerie, Louvre, Petit Palais, Luxembourg, Beaux-Arts André-Malraux, entre outros.

A exposição, dividida em 17 seções, como Fontainebleau, Normandie, Paris, Méditerranée, Natures mortes, entre outros, retrata os 60 anos de sua carreira, desde o início dos anos 1860, passando por seus últimos quadros, como o ciclo das Ninféias, do museu L'Orangerie, até sua morte, em 1926. 
 
Ao sair de Paris, em 1883, o artista se mudou para Giverny, uma cidade que fica na Normandia e onde funciona atualmente a Fundação Monet. Ao lado de artistas como Edouard Manet, Auguste Renoir, Edgar Degas, participou do movimento no fim do século 19 que ficou conhecido como impressionismo. Foi um quadro seu, aliás, que batizou: "L’Impression, soleil levant", que não está na exposição, mas pode ser visto no museu Marmottan Monet.

En Norvégienne
Sua arte transformou a prática e a compreensão da pintura e da paisagem. Durante todo o tempo, Monet nunca perdeu de vista a variedade de sensação, de modo que pintou uma mesma paisagem em diversos horários e em diferentes épocas do ano, para variar a luz que incidia sobre o local.

Em 1890, ele colocou fim às controvérsias, uma vez que se tornou, tanto na imprensa nacional quanto internacional, um dos principais pintores de paisagem na França, ainda que o Estado nunca tenha comprado nenhum quadro seu. Suas obras, no entanto, se vendem bem não apenas na França, mas também a colecionadores americanos, sempre os mais numerosos.

A mostra pode ser acompanhada de audioguias em francês, inglês, alemão, italiano e espanhol. O catálogo da exposição, com 384 páginas e 300 ilustrações, custa 50 euros. A visitação está aberta todos os dias até 26 de janeiro, das 10h às 22h, sendo terça-feira até 14h e quinta, até 20h. Durante as férias escolares, o horário passa a ser das 9h às 23h, exceto dia 25 de dezembro. A entrada custa 12 euros.

Galeries nationales du Grand Palais 3, avenue du Général-Eisenhower, 75008, Paris, tel.: 01 44 13 17 17, www.monet2010.com

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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Olímpia, Grécia

Templo dedicado a Hera, deusa da família e do ciúme, irmã e esposa de Zeus
Ao pensar em Olimpíada, o que vem à sua mente? Esse que é um dos eventos esportivos mais importantes do mundo começou muito antes de o Brasil ser descoberto. Aliás, muito antes mesmo. Os primeiros Jogos Olímpicos aconteceram em 776 a.C. em Olímpia, localizada a 360 quilômetros do aeroporto internacional de Atenas, capital da Grécia. E, como se pode imaginar, foi justamente por conta deste santuário que a competição, que acontece a cada quatro anos, recebeu o nome de Olimpíada.


São muitos os motivos para conhecer o local, não apenas por sua importância histórica e tudo o que se pode conhecer e aprender em uma visita. Só a paisagem do trajeto já vale a viagem. Apesar de haver trens que saem todos os dias da capital, alugar um carro pode ser uma boa pedida. Isso porque, no caminho, é possível fazer uma pausa no Canal de Corinto, que tem pouco mais de seis quilômetros de comprimento e liga o golfo de mesmo nome ao mar Egeu, tornando o Peloponeso uma ilha. A construção foi feita para facilitar a navegação, para que as embarcações não precisassem dar uma volta imensa de 400 quilômetros. Embora sua escavação tenha começado no século 1, quando o imperador romano Nero ordenou, o projeto só foi concluído em 1893.


Ainda que sejam realizados passeios de barco turísticos no Canal, a vista do alto, ou seja, da própria estrada, já vale a pena, principalmente por conta do azul turquesa do mar.

Aos aventureiros radicais, uma dica: no Canal de Corinto são realizados saltos de bungee jump com a equipe Zulu Bungy. Durante o outono europeu e quando é considerada baixa temporada, o local está aberto aos finais de semana, exceto quando está chovendo. O salto custa 60 euros e, com mais 10 euros, você tem o seu salto gravado em DVD. E, como dizem os instrutores, só é preciso estar pronto, pois as informações e as instruções são conseguidas na hora.

Voltando no tempo
No início, a Olimpíada era um festival religioso realizado em homenagem a Reia, mãe de Zeus, o deus dos deuses. Depois, a festa passou a ser realizada para honrar e agradar o próprio Zeus e as pessoas se reuniam durante cinco dias, a cada quatro anos, para fazer oferendas e celebrar deuses e heróis mitológicos. A reunião era também para assistir aos jogos, uma vez que, durante a comemoração, eram realizadas competições de lutas, corridas de cavalos e carruagens e pentatlo (salto em distância, corrida, arremesso de disco, lançamento de dardo e luta livre).

No entanto, cerca de 400 anos depois, em 392 a.C., Roma julgou o evento como uma festa pagã e destruiu o santuário para acabar com a brincadeira. Os Jogos Olímpicos, portanto, só foram retomados, na Era Moderna, em abril de 1896, quando foram realizados em Atenas. Na ocasião, competiram 311 atletas de 13 países.


Além do esporte
Com tantos tesouros da arte grega, tais como monumentos, estátuas e objetos de mármore, a cidade é um verdadeiro museu a céu aberto. Aliás, há o aberto e o fechado, cujas peças foram recolhidas na própria cidade e levadas para o Museu Arqueológico de Olímpia, aberto para a Olimpíada de Atenas, em 2004. O evento recebeu 10.500 competidores vindos de 201 países, e consumiu 6 bilhões de euros. Na ocasião, as provas de arremesso de peso aconteceram em Olímpia.

No museu é possível conferir, em seis idiomas, a história dos Jogos Olímpicos, em ordem cronológica, desde a pré-história até o início da Era Cristã. Há troféus de louros, estátuas de mármore, coleções de bronze e de terracota e toda sorte de objetos que fizeram parte das olimpíadas de todos os tempos. Entre as coleções, há ornamentos do Templo de Zeus que datam do século 5 a.C. Mas uma das obras que mais chamam atenção é o busto de bronze do deus, em cuja parte inferior há uma cena gravada dele juntamente de Apolo. Com entrada gratuita, além de objetos, há uma parte multimídia.

No Sítio Arqueológico, que fica do outro lado do rio, o passeio no meio das ruínas é ao longo do ginásio, que ainda não foi descoberto em sua totalidade. Para se ter uma ideia, a academia onde os jovens atletas treinavam também era o local onde eles aprendiam filosofia. Afinal de contas, estamos falando do berço da civilização ocidental e de onde viveu Sócrates, pai da filosofia.

As escavações que começaram no século 19 em Olímpia ainda continuam. A primeira começou em 1875, liderada pelo governo alemão. Os arqueólogos escavaram a parte central do santuário, incluindo os templos de Zeus, Hera, Metroon, Bouleuterion, Philipeion, Palaestra etc., e os objetos encontrados somam 14 mil unidades.

O Templo de Zeus é a mais importante construção e é considerado por muitos como o mais perfeito exemplo da arquitetura dórica. Atualmente, apenas uma coluna foi reconstituída e restaurada para ficar totalmente pronta para a Olimpíada de Atenas.

Outro templo importante é o dedicado a Hera, deusa da família e do ciúme, irmã e esposa de Zeus. É no seu templo o local onde é acesa a tocha olímpica antes do início dos jogos atuais.

Uma vez lá, aproveite para caminhar, sem pressa, entre as diferentes áreas, que são cobertas por árvores repletas de pássaros cantando. O bosque sagrado de Zeus, ou Altis como os antigos o chamavam, possui plátanos e oliveiras dedicados a ele.

Embora a cidade seja pequena e dê para visitá-la em um único dia, passear pelos museus de uma vez pode se tornar entediante. Portanto, se não der para ir a todos, não se afobe. Fique uma noite hospedado por ali e volte no dia seguinte. Se os dias no país estiverem apertados, relaxe e veja o que for possível, contente-se com pouco, mas com qualidade. Assim, o passeio e a aula de história que vem embutida não se tornam um estorvo, mas um programa infinitamente prazeroso.
 
Como chegar
A partir de Atenas, é possível ir para Olímpia de:

Trem – O trem viaja pela rota Atenas-Patras-Pyrgos e deve ser tomado na Stathmos Peloponnisou (estação Peloponeso). De Atenas, tome a linha C para a cidade de Pyrgos, que fica a 17 quilômetros de Olímpia. Informações: (210) 51-31-601

Ônibus – Os terminais de ônibus ficam na Kifissou street 100 (também chamada de Stathmos Kifissou). Lá, peça um tíquete para Olímpia (em grego, Arxaia Olympia). Informações: (210) 51-34-110

Carro – Há duas rotas. A considerada mais fácil é via Patras: Patras, Pyrgos e Olímpia. A mais difícil, mas com a melhor paisagem, é via Vytina, e são 30 quilômetros a menos. A direção é Trípolis e Corinto, mas depois do túnel há a direção para Olímpia através das montanhas de Arcádia.

Atrações
Bungee Jump – Saltos radicais no Canal de Corinto com equipe Zulu Bungy. Informações: (30) 274-104-9465 / (30) 6932-70-25-35

Museu Arqueológico de Olímpia – Um dos mais importantes museus da Grécia, apresenta uma longa história dos mais celebrados santuários da Antiguidade, além do templo de Zeus, deus dos deuses. Informações: (30) 262-402-2529

Sítio Arqueológico – É o museu a céu aberto de Olímpia e o local onde, de fato, aconteciam os Jogos Olímpicos. Lá é possível conferir as ruínas do ginásio e dos templos importantes, como o de Zeus e de Hera.
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(Leia a matéria completa e veja as fotos publicadas originalmente no UOL.) 

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domingo, 6 de junho de 2010

Museus

Domingo é dia de passear em Paris. No primeiro domingo do mês, porém, é dia de ir ao museu. Por quê? Porque eles são gratuitos (e quem não gosta de econimizar, por exemplo, uns 11 euros?). Mas, claro, há outro preço a se pagar: entrentar as enormes filas que se formam na entrada e também em frente às obras.

Decidida a rever algumas coisas no Musée du Louvre (estive lá em 2002), sabia que não seria fácil, mas fui consciente. Entretanto, uma coisa eu fiz certa: tomei o metrô e desci na estação Palais Royal Musée du Louvre. Isso significou minutos a menos na fila de entrada, uma vez que, olhando do alto, pude acompanhar o enorme caracol que se formava na entrada principal, ou seja, pela pirâmide.

A multidão, é claro, só procura uma obra: a Mona Lisa. E o museu faz questão de ir mostrando o caminho com as placas e também com o mapa distribuído na entrada.

Olha a multidão na minha frente!

Em frente à Mona Lisa, a Gioconda de Leonardo da Vinci, uma multidão se aglomerava, se acotovelava. Chegar pertinho, nem pensar.

Como se sabe, a Mona Lisa está em uma parede protegida por um vidro a prova de balas. No entanto, na minha memória, o vidro era um pouco maior apenas que o quadro. Hoje, vi que ele é enorme, tem muito mais de um metro de vidro de cada lado. Será que minha memória está me traindo ou a proteção foi mudada nesses oito anos de intervalo? Bom, em casa eu tenho uma foto que tirei ainda com filme e depois vou tirar a dúvida.

Saí do Louvre (impossível ver tudo em apenas um dia, imagina querer ver tudo com a multidão te levando...), e tentei ir ao L'Orangerie, mas estava cheio. Optei pelo Musée D'Orsay que também tinha uma fila imensa, mas como trata-se de um prédio grande, perdi menos de uma hora em pé.

Lá dentro não pode fotografar. E por conta de uma reforma no andar onde ficam as obras de Claude Monet, por exemplo, a administração do museu decidiu agrupar os impressionistas e os pós-impressionistas no térreo mesmo. Estão lá, um ao lado do outro: Degas, Monet, Manet, Renoir, Van Gogh, Gaugin, Toulousse-Lautrec, Matisse...

Esta foi a terceira vez que estive neste museu, nas três vezes que vim a Paris. A cada vez foi especial por algum motivo, e eu simplesmente não me canso de admirar as obras, mas também a arquitetura do museu que um dia foi uma estação de trem.