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terça-feira, 12 de junho de 2012

Praia do Forte

Como tudo é superlativo, o hóspede recebe um mapa para circular no Iberostar

Está marcada para 2014 a inauguração de um hotel superexclusivo na Praia do Forte, litoral norte da Bahia (localizado no município de Mata de São João), a cerca de uma hora do Aeroporto Internacional Luis Eduardo Magalhães, em Salvador. A iniciativa é do Iberostar, rede espanhola de hotéis que já possui outros dois resorts no mesmo complexo: Bahia e Praia do Forte, inaugurado em 2008, dois anos depois do primeiro.

Ainda que o resort superexclusivo não esteja pronto, o Iberostar Praia do Forte não deixa nada a desejar. Ele ocupa a categoria premium cinco estrelas e oferece 536 apartamentos, de 46 m², equipados com TV LCD 32 polegadas, minibar, acesso à internet (pago à parte), cafeteira. Se por dentro é tudo isso, do lado de fora é um espetáculo. Isso porque quase todos os apartamentos têm vista voltada para o mar azul baiano, cuja praia é rodeada por coqueiros, formando uma paisagem de perder o fôlego nas primeiras luzes da manhã. Basta abrir a cortina da suíte e se deparar com a maravilha que está aos pés do hóspede, que ainda conta com todo tipo de luxo e conforto que um resort pode proporcionar.

Como tudo por aqui é superlativo, assim que o hóspede realiza o check-in já recebe um mapa com as dependências do hotel, onde ficam os restaurantes, o local para retirar as toalhas de piscina etc. Nessas informações também estão disponíveis os horários de funcionamento de cada restaurante. Ótimas dicas para não se perder e dar de cara com um deles fechado. A questão é que, se um estiver fechado, sempre existe outra opção.

Resort conta com seis piscinas com bordas infinitas
Além da praia em frente, de areia grossa e muita brisa, há opção mais cômoda, a preferida pelos brasileiros: seis piscinas com bordas infinitas que, juntas, somam 4 mil metros quadrados. Com o calor que faz na região, inclusive no outono, com certeza é um dos locais mais disputados pelos visitantes que ocupam, durante o ano todo, média de 70% dos apartamentos disponíveis.

Com sistema all inclusive, o hóspede não precisa se preocupar com nada. Café da manhã é servido no restaurante Pelô. Em sistema de bufê, as opções são incontáveis. Todos os quitutes são preparados pela própria cozinha do hotel. Como fiquei hospedada no Iberostar Praia do Forte apenas durante um final de semana, seriam necessários uns 10 dias para provar todas as guloseimas servidas na primeira refeição do dia! São pães de tudo quanto é tipo, frios, frutas, iogurtes, tapioca com recheios doces e salgados, croissants, geleias, sucos, vitaminas…

Para o almoço, há duas opções: o bufê novamente no Pelô, ou os pratos leves do restaurante Maresia, localizado mais próximo à piscina e perfeito para refeições. O bar molhado, como é conhecido o Yemanjá, fica dentro de uma das piscinas, do “lado agitado”, serve bebidas com e sem álcool. Companhia perfeita para aproveitar os finais de tarde, dentro da piscina, com o calor de 30ºC que faz na cidade.

Para jantar, porém, as opções são muitas. Além do bufê do Pelô e do Maresia, o cliente ainda tem a opção de três restaurantes temáticos: Do Lago (especializado em cozinha francesa), Odoyá (culinária típica baiana), Mai Tai (culinária oriental). Para frequentá-los é preciso fazer reserva. Dependendo da quantidade de noites de hospedagem, o cliente pode escolher de duas a três opções.

O francês é o único que exige etiqueta de vestimenta. Homens só entram vestidos com calça e sapatos fechados. A mesma exigência não é feita para os demais. Apenas que não estejam vestindo roupa de banho…

O serviço é de primeira. O cardápio, no caso do restaurante Do Lago, oferece três opções de entrada e três de sobremesa. Para o prato principal, são três de carne e três de peixe. Para degustar, vinho tinto, branco ou espumante. E, para acompanhar com a sofisticação do ambiente, não é permitida a entrada de crianças menores de 12 anos. Até porque dificilmente os pratos vão agradar o paladar delas.

Já no Odoyá, a entrada é servida em sistema de bufê, assim como a sobremesa. E opções não faltam: casquinha de siri, bolinho de bacalhau, mandioca frita (aqui chamada de aipim, mas também conhecida como macaxeira), acarajé com vatapá. Para o prato principal, há outras opções, principalmente os preparados com frutos do mar. E, se ainda quiser cear antes de voltar para o quarto, o Maresia oferece snacks o dia todo, mas à noite as guloseimas passam a ser servidas no Pelô. No frigobar, só há bebidas: cerveja, água, refrigerante. Mas ainda há o serviço de quarto, com opções de lanches para saciar a fome fora de hora – se isso for possível!


Mudança de perfil
Rede espanhola, o Iberostar foi inaugurado no Brasil em 2005 (com inauguração do Grand Amazon, cruzeiro cinco estrelas que navega no Rio Amazonas). A maioria dos hóspedes era formada por turistas europeus. Era. Depois da crise mundial, que se instalou a partir de 2008, o perfil dos frequentadores do resort mudou.

Os brasileiros passaram a tomar conta da maioria dos apartamentos. É claro que os europeus não foram totalmente embora. Os mais assíduos são os alemães, os franceses e os americanos, que não abrem mão da mordomia. No final de semana no qual estive lá era possível observar famílias alemãs e outras estrangeiras desfilando suas roupas de banho na praia e se bronzeando nas espreguiçadeiras da piscina ao final da tarde sob um calor tipicamente baiano de 29ºC em pleno outono nordestino.

A diversão para as crianças é garantida. Aqui há espaço para elas brincarem, pularem, participarem das brincadeiras organizadas pelos monitores do resort, e deixarem os pais à vontade para curtirem as férias. Para os pequenos, o miniclube é o espaço ideal, além da piscina rasa e do berçário (pago à parte). Os pais que preferirem podem optar pelo serviço de baby sitter (também pago à parte e por hora).

Bar Piatã: o destino dos hóspedes durante o dia todo

Lazer
Aos amantes de golfe, o campo com 18 buracos é a opção de lazer. Há golfistas que se hospedam no resort apenas para jogar, mas não é a maioria. Quem não tem noção de como manusear o taco, professores estão à disposição para dar aulas e ensinar as primeiras tacadas. Não é fácil, é verdade, muito menos sob o sol escaldante da Bahia, mas é um exercício divertido, até mesmo para que o hóspede não se sinta totalmente preso a apenas um local. Ainda que o hotel seja all inclusive, o golfe é pago à parte.

O mesmo acontece com a estrutura do SPA. Tanto as áreas úmidas, com as piscinas de águas mornas e quentes, como os tratamentos corporais e faciais são oferecidos à parte.

O SPA Sensations fica justamente no limite entre as unidades dos resorts Bahia e Praia do Forte. Por isso, pode ser desfrutado pelos dois públicos. Ao todo, são quase 2.700 metros quadrados, com nove salas de tratamento, piscina térmica coberta, sauna, hamman (banho turco), salão de cabeleireiros, loja, vestiários e academia de ginástica. Ao todo, são 20 tipos de massagens ou tratamentos oferecidos, como a massagem relaxante (perfeita para desestressar da correria da cidade). Os profissionais são treinados pela grife francesa Germaine de Cappuccini.

Depois de aprender direitinho o caminho entre a praia, o restaurante e o apartamento, e me acostumar com a gentileza e a hospitalidade  baianas, difícil é voltar para casa – e para o outono de São Paulo.

Iberostar Praia do Forte Rodovia BA 99 KM 56, Praia do Forte, Bahia, tel .: (71) 3676-4200

*A jornalista Tatiana Babadobulos se hospedou no Iberostar Praia do Forte a convite do resort

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Itacaré - Bahia

(Publicada em outubro de 2005)

Itacaré: ecoturismo levado a sério

Localizada ao norte de Ilhéus, no sul da Bahia, a cidade atrai turistas do mundo todo
Praias bonitas, sol quente, boa comida, cultura e hospitalidade baiana. Assim é Itacaré, cidade localizada a 65 quilômetros ao norte de Ilhéus, terra de Jorge Amado, no sul da Bahia. Antiga fazenda de cacau e coco, o local é conhecido como Costa do Cacau, mas ficou no esquecimento por muito tempo, já que o acesso não era nada fácil. Em 1998, porém, a sorte da cidade começou a mudar, quando foi inaugurada a Estrada Parque Ilhéus-Itacaré. A iniciativa colocou-a de vez no mapa e hoje atrai (eco) turistas do mundo inteiro, que vêm para o Brasil desfrutar das belas praias e do sossego que ainda impera por ali.

Uma das características das praias é justamente ser totalmente diferente das outras nordestinas, sempre quilométricas. Ao contrário, Itacaré é recortada por morros cobertos por vegetação de Mata Atlântica (preservado graças à sombra que essas plantas ofereciam ao cacau). Sem contar os milhares de coqueiros espalhados por todas as praias, sem exceção, que dão o charme que tanto encanta os turistas.

A cidade é bem pequena, com casarões maltratados e apenas o Solar da Marquesa e o Casarão Amerelo, uma mistura de restaurante com galeria de arte e boate, foram restaurados. A igreja de São Miguel, que data de 1723, está sendo restaurada atualmente. Nas ruas principais, a da Pituba e a Lodônio Almeida, estão localizados os bazares com lembrancinhas, restaurantes um ao lado do outro com comida baiana e internacional (a pizzaria Beco das Flores tem a redonda com massa fina e recheio de carne de sol que é deliciosa) para ninguém passar fome. Os internautas mais aficionados também não vão sentir saudades do computador, porque por lá proliferam os cybercafés com acesso rápido, gravação de CD e impressão de fotos digitais. Vale dar uma rápida pesquisada para pagar menos.

E é próxima a estas duas ruas que está localizada a primeira praia de Itacaré: a da Concha, onde está a maioria das pousadas baratas. É lá, aliás, que todo mundo se junta, todas as tardes, para assistir ao sol se pôr no Rio das Contas.

Seguindo por uma trilha (ou pela estradinha), é possível chegar às quatro praias próximas ao centro da cidade. Elas são divididas por morros e é possível passar por cima das pedras para contemplar o visual e ir mudando de praia quando enjoar da anterior. A do Resende é a primeira, local de surfistas que se preparam na areia fazendo aquecimento e alongamento ante s de cair no mar. Também há aulas de capoeira e muita gente zen meditando e fazendo tai chi chuan. Vencido o morro de pedras, Tiririca é o point dos surfistas de verdade, onde acontecem campeonatos mundiais (mais um fato para atrair os gringos). A praia do Costa é a terceira, pequena, estreita e sem nenhuma cabana vendendo água de coco ou refrigerante. Bom para sossegar, mas deserta demais.

Por fora, chega-se à praia do Ribeira, que possui um rio que desemboca ali, e onde há mais infraestrutura com mesinhas e cadeiras de plástico, fato que atrai famílias inteiras que vão comer queijo coalho, tomar água de coco e brincar de bola e raquete na areia. É a partir de lá que sai a trilha que leva à Prainha, considerada pelos nativos e publicações especializadas como uma das dez mais bonitas do Brasil (eu só concordo se a praia do Sancho, em Fernando de Noronha, constar desta mesma lista).

A primeira advertência ao turista desencanado é que ele não deve ir à Prainha sozinho. Primeiro porque ele vai se perder na trilha de quase uma hora de caminhada que não é sinalizada. Segundo porque há indícios de que têm ocorrido assaltos no meio da mata, motivo pelo qual há guardas a cavalo vigiando e alguns seguranças de fazendeiros locais. Mas a opção para se chegar à Prainha com o máximo de mordomia é se hospedando no condomínio Villas de São José e ir de van, no sossego.

A Prainha é considerada uma linda praia porque é cheia de coqueiros em toda a sua extensão e, como é difícil de chegar, é calma, não tem gente barulhenta e a natureza impera, de modo que há apenas uma pequena cabana vendendo bebidas para matar a sede dos que se aventuram pela trilha.

Outras boas opções de praia são a Havaizinho, de onde se tem uma vista panorâmica sem igual. Já a praia é bem pequena e cheia de pedras. Por uma trilha bem fácil, equipada com degraus e corrimão, chega-se a Engenhoca, de águas quentes de sem infra. Apenas um rapaz faz o serviço de bordo com água de coco e petiscos. A trilha segue rumo a Itacarezinho. Quem vai de carro pela estrada precisa pagar R$ 5 para estacionar. A barraca que oferece a infra no local está sozinha e por conta disso tem o preço um tanto salgado.

A cachoeira do Tijuípe também tem infraestrutura de lugar grande, com um restaurante que serve comida caseira e bebidas para quem se aventura a entrar nas suas águas geladas.

Para ser VIP, o lugar é aqui
Para uma hospedagem VIP na cidade, o Itacaré Village, localizado dentro do condomínio Villas de São José, dá conta do recado. São quatro mil metros quadrados de área construída, 44 apartamentos distribuídos em cinco Villages. Em frente ao hotel está a praia de São José, praticamente exclusiva aos hóspedes (quem quiser pode desfrutar por um dia, pagando uma taxa). O charme fica por conta dos coqueiros que estão por toda a extensão, das espreguiçadeiras de madeira, das cabanas de sapê e do serviço de primeira.

Como o Village está distante da portaria do condomínio, uma van faz o traslado pela estradinha de terra que passa entre a reserva natural particular (75%, num total de 175 hectares de área, são formados por Mata Atlântica preservada), há também cavalos, emas, macacos e mais variedade de vegetação por metro quadrado do que possui a Floresta Amazônica.

Ao fazer o check-in, o hóspede é recepcionado por uma deliciosa água de coco e um mensageiro acompanha até o quarto, que para ser acessado é preciso pegar um trilha. Um outro mimo oferecido ao turista é uma carta, em papel reciclado, oferecendo boas-vindas. Com ampla varanda, os quartos são ou de frente para o mar ou para a Mata Atlântica, onde também há o rio Canoeiro, bom lugar para andar de caiaque e deixar as crianças brincarem na água, uma vez que as ondas do mar são fortes.

Na parte do condomínio de casas há mansões que pertencem, a metade, a estrangeiros europeus e americanos. Um novo projeto está sendo lançado pela construtora, o Villa Coqueiral, com 17 bangalôs pré-projetados, com três modelos diferentes. O projeto prevê, a longo prazo, 180 casas, com 185 metros quadrados de área construída, em um terreno de mil metros quadrados, piscina com deck com vista para o mar e três suítes. Outra opção menor é a casa com duas suítes e 159 metros quadrados. A obra fica pronta em 10 meses e custa de R$ 495 mil a R$ 865 mil, fato que tem atraído muitos estrangeiros que vêem nas casas um ótimo investimento e excelente vista para a praia.

Além dos gringos, há brasileiros de Minas Gerais, de São Paulo e do Rio de Janeiro comprando as casas para passar as férias (já que o condomínio conta com a infra-estrutura do hotel) e também para investir. Caso queira alugar a residência, o proprietário conta com o apoio do Itacaré Village que, junto com a administradora, cuidam do check-in.

Os investidores também apostam no crescimento do turismo no local com a construção de um novo aeroporto em Ilhéus, que ficará mais próximo a Itacaré, facilitando ainda mais o deslocamento até a cidade. Outro ponto alto é que as pessoas, além da privacidade, têm opção de ir a praias próximas como São José e Prainha.

Dentro do condomínio há estrutura de recreação com aulas de surfe, capoeira, artesanato, ioga, alongamento, passeios ecológicos por dentro da mata e trilhas para outras praias, sempre acompanhadas pelo guia do hotel. Na Ilha do Canoeiro os hóspedes contam ainda com salão de jogos com mesas de bilhar, pingue-pongue e pebolim, além de campo para futebol. O restaurante Grauçá fica de frente para a praia de São José é charmoso, tem boa música que saem das caixas acústicas e excelente comida.

Quem quiser ir para o centro, durante todo o dia a van leva os turistas para a rua da Pituba e depois volta para buscar, sempre com horários pré-determinados por eles. A dica é escolher um bom restaurante e colocar o papo em dia. Depois de forrar o estômago, a turma toda segue para os forrós da cidade, onde turistas aprendem a dançar com os nativos numa mais completa troca e compartilhamento de culturas. O Mar e Mel é um dos mais conhecidos, com mesas no salão coberto ou no quintal.

Depois de desfrutar das belezas de Itacaré, difícil mesmo é ter de voltar para casa, após as férias. Ainda bem que restam boas lembranças para guardar na memória!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Natal - Rio Grande do Norte

(Publicado em dezembro de 1999)

Natal é conhecida como a Cidade do Sol, como a Cidade dos Bugues, mas prefere ser chamada simplesmente como está registrada: Natal. Sim, porque é a única cidade do Brasil na qual se deseja Feliz Natal o ano todo. E não é para menos. Se o turista procura sossego, aqui tem. Se procura diversão, tem também. Se procura sol, é o que mais tem. Se procura brisa para aliviar o calor, aqui não falta.

Localizada na ponta direita do Brasil, onde o mapa e, principalmente, o vento fazem a curva, Natal está ao norte de Recife, sudeste de Fortaleza e a 2.947 quilômetros de São Paulo.

Diversão para todo mundo
A temperatura varia de 28 a 30 graus e o sol brilha quase 300 dias por ano. A capital do Rio Grande do Norte possui cerca de 800 mil habitantes, distribuídos numa área de 172 quilômetros quadrados, e está sendo chamada de a Cancun brasileira pelo fato de existir uma variedade muito grande de praias belíssimas pela própria natureza.

O esporte favorito dos que vão à terra do sol está ligado ao mar e, principalmente, à areia. Com dunas e alto astral espalhados por toda parte, usam-se bugues para descê-las em ritmo acelerado.

Genipabu, localizada ao norte de Natal, na outra margem do Rio Potengi, é a capital das dunas. São 20 quilômetros quadrados de areia em permanente mutação. Ali rola de tudo um pouco: passeio de bugue e estripulias que envolvem pranchas, teleféricos, água e, claro, areia.

Outra diversão natalense é o esquibunda. Trata-se de um escorregador feito em conjunto do poder deslizante da duna à aerodinâmica das nádegas, em cima de uma prancha de madeira. O esporte é mais apreciado quando há água no final do percurso, porque o passeio termina num prazeroso tchibum. Se preferir imaginar que está deslizando uma onda no mar, basta descê-la em pé, como já estão praticando os nordestinos.

Há, também, uma variação aérea do esporte. Trata-se do Aerobunda, que nada mais é que uma cadeirinha pendurada a um cabo que liga uma margem à outra das lagoas Pitangui ou Jacumã. Quando estiver deslizando e chegar no meio, a hora da diversão chegou: basta se jogar e se deliciar com um banho de água doce. Aliás, se joga quem quiser, pois quem não sabe nadar também pode curtir: o aventureiro coloca um colete salva-vidas e espera por um guia local para apanhá-lo de barco.

A gastronomia é composta por frutos do mar e carne de sol. Há restaurantes distribuídos por toda a cidade, bem como estão também um grande número de pousadas e hotéis, principalmente na Via Costeira, um dos locais mais atraentes para projetos turísticos.

Mil opções de passeios
Dentre os passeios na cidade estão o Centro de Turismo, que funciona na antiga Casa de Detenção de Natal e abriga a Galeria de Arte Antiga e Contemporânea, com lojas de artesanato. Há também a Capitania das Artes, cujo prédio, restaurado pela Secretaria de Turismo (Sectur), reúne a beleza da arquitetura neoclássica e amplos vãos livres de arquitetura moderna.

O Forte dos Reis Magos, que fica na praia do Forte, foi construído sobre os recifes e é banhado pelo rio Potengi e pelo Oceano Atlântico. Tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional, o Forte é o marco inicial da história da cidade. Outro patrimônio é o Teatro Alberto Maranhão, cuja construção foi iniciada em 1818 e concluída apenas em 1904. Sua arquitetura neoclássica, contudo, encontra-se totalmente restaurada.

De praia em praia
A praia de Ponta Negra, em Natal, é um dos cartões postais mais conhecidos e é também famosa pelo Morro do Careca, a atração natural da cidade. Na praia da Pipa, litoral sul do Rio Grande do Norte, é possível ver golfinhos que se reproduzem e vivem lá. Ao lado está a praia do Amor, cujo ar de mistério e beleza lhe é conferido devido ao trecho rochoso e desértico que compõem o cenário.

No litoral norte, a praia da Redinha abriga a beleza do encontro das águas do rio Potengi com o mar. Fonte de inspiração de poetas e escritores, a partir de sua margem é possível avistar o Forte dos Reis Magos.

Em Piranji do Norte, a 30 quilômetros de Natal, está o maior cajueiro do mundo. Com mais de 100 anos, o cajueiro possui 8.400 metros quadrados e sua copa é capaz de fazer sombra em um estádio de futebol e dá, anualmente, 80 mil frutos. Feliz Natal!

Um pouco de história
Natal foi fundada por Manuel de Mascarenhas Homem, capitão-mor de Pernambuco, que chegou com o objetivo de construir um forte e uma cidade para assegurar a posse de Portugal e afastar os franceses que comerciavam com os índios potiguares.

Trampolim da vitória durante os anos em que serviu como base militar aliada durante a Segunda Guerra Mundial, com a missão de controlar as comunicações com o continente africano, 50 anos atrás Natal mal constava nos mapas. Documentos mostram que, 150 anos depois de oficialmente fundada, em uma missa que aconteceu no dia de Natal (sim, é por isso), a cidade era um lugarejo com 118 casebres. Entretanto, outros documentos atestam que a Fortaleza dos Reis Magos, no estuário do Rio Potengi, começou a ser construída em janeiro de 1598. Ou seja, quase dois anos antes da descoberta oficial.

Foi a chegada dos americanos, porém, que tornou a cidade conhecida. Isso porque algum cartógrafo do Pentágono calculou que, entre todas as terras do Brasil, Natal era a que ficava mais próxima da África (três horas nos aviões de hoje) e poderia ser uma posição estratégica. Foi nessa época, portanto, que surgiu o termo forró, corruptela do inglês for all, que era como eles chamavam os bailes de arrasta-pé que os militares realizavam para se integrar à comunidade. Entretanto, os historiadores contestam, alegando que o termo vem de forrobodó. Não importa a origem, o que vale é mais um ponto de como a cidade também é conhecida: a terra do forró.

Fortaleza - Ceará

(Publicado em outubro de 1999)

Ceará para todos os gostos turísticos
Conhecer o Ceará significa ver o contraste entre a fartura e a pobreza, os males e a seca. Quem acompanha os noticiários e vê a seca que assola o sertão cearense não imagina que belas paisagens existem em todo o litoral. São quilômetros de praias a serem conhecidas e aproveitadas.

Fortaleza, assim como boa parte do estado, está voltada para o turismo. Pacotes oferecidos por empresas do ramo não faltam no mercado. Ao contrário, eles estão cada vez mais acessíveis, sobretudo no preço. Até um aeroporto internacional foi construído: mais uma entrada de turistas. Estrangeiros, portanto, há aos montes, de todos os lugares, falando diferentes idiomas e sofrendo com o calor intenso característico de todo o Nordeste. Muitos deles, inclusive, vão para ficar.

As praias da capital, contudo, não valem a pena para o banho, com exceção da do Futuro. Um pouco mais distante que as outras em relação ao centro, ela possui barracas que oferecem cadeiras e guarda-sóis aos turistas. No inverno, o vento prevalece e alivia um pouco o calor, entretanto o sol não brinca, fere.

Boemia
Não existe pôr-do-sol mais lindo como o da praia de Iracema, mais precisamente na Ponte Metálica. Lá, as pessoas costumam se reunir para presenciar o espetáculo natural que ele dá ao se colocar no mar.

A ponte também é conhecida como Ponte dos Ingleses pelo fato de terem sido eles seus construtores, com a finalidade de desembarcar a mercadoria no porto, principalmente o próprio ferro utilizado para sua construção. Depois de tanto tempo, ela virou símbolo da praia e ponto de encontro de gente bonita.

Caminhar pela avenida Beira Mar e visitar a feirinha de artesanato também é uma boa dica. Porém, o melhor é passar antes no Mercado Central, pois o preço é menor e a maioria dos produtos é igual.

Beber um chope, comer um petisco, virar boêmio. Cenário não falta. Mais que em qualquer outro lugar, a noite fortalezense é uma criança. Na praia de Iracema, as cadeiras dos bares ficam na calçada e as ondas do mar batem bem perto ao encontro da Música Popular Brasileira que é tocada ao vivo. Então, o calor libera a sensualidade e a paquera rola solta.

Não é a toa que do Ceará saíram humoristas famosos, como Renato Aragão, Tom Cavalcanti, Chico Anísio, entre outros. Toda noite, no Shopping Pizza, há um artista se apresentando e fazendo o povo rir. O transformista Ciro Santos também pode ser visto na barraca Subindo ao Céu, na praia do Futuro. Bom mesmo, porém, é Zé Modesto, personagem de João Leite que, além de humorista, é mímico.

Mergulho
Outro programa imperdível é o mergulho nas águas quentes do Ceará. Como o mar é muito agitado, deve-se tomar cuidado para não enjoar. Por isso, mesmo que você já tenha experiência em outros mares, os instrutores consideram o primeiro mergulho lá como batismo (o primeiro de todos). Mas vale a pena. A água do mar é bem azul e a vida marinha vista no fundo é o paraíso. Há espécies de vários peixes, bem como tartarugas, arraias e tubarões-lixa.

Dunas
Uma antiga vila de pescadores, a Taíba, localizada a 70 km no caminho do Maranhão, cresceu devido às explorações dos próprios fortalezenses. Nessa praia há dunas e, no final da tarde, quando o sol está mais fraco, as pessoas se encontram para apreciar o visual.

Duna, no entanto, não serve só para olhar o que se tem em volta. Segundo o novo esporte praticado pelos nordestinos, ela serve mesmo para surfar. Sim, o esporte é bem esse: surfe de areia.

O instrumento nada mais é que uma prancha especial de madeira, com dois lugares para se encaixar os pés e parafina para ela deslizar melhor. Os surfistas descem a areia como se fosse uma onda no mar. No começo, porém, as pessoas apenas arriscam descendo sentadas. Depois que criam coragem, percebem que descer em pé, além de seguro, é bom demais.

Antes da Taíba há outra praia tipicamente turística: Cumbuco. Guias alucinados oferecem passeios de bugue por cima das imensas dunas, com direito de escolher entre duas opções de divertimento: com ou sem emoção.


Viagem
Seguindo em direção a Natal, 20 km a leste de Fortaleza, encontra-se a praia Porto das Dunas, lugar em que se localiza o parque aquático Beach Park. O maior toboágua do mundo está lá, o Insano, com 41 metros de altura. A vista para o mar que se tem ao topo do brinquedo é maravilhosa.

Mais a frente, a 65 km, está Morro Branco, famoso por suas falésias e areias coloridas. O artesanato é o ganha pão das pessoas que sabem fazer maravilhas com copos, garrafas e grãos de areia por dentro. Os artesãos com mais prática gastam, em média, duas horas para decorar um copo como o de cerveja.

Andando mais 75 km encontra-se Canoa Quebrada, pertencente ao município de Aracati. Diz a lenda que a praia tem esse nome porque, enquanto um casal de argelianos em lua-de-mel passava por ali, seu barco quebrou. Por isso, também, que o símbolo da praia é justamente a bandeira desse país (uma lua e uma estrela), desenhada em pedras. O folclore crê que, os casais que por ali passam, jamais se separam.

Mais atrações
Outro passeio a partir de Canoa Quebrada é ir até Ponta Grossa. O visual é maravilhoso inclusive dentro d’água. Se por acaso você não quiser alugar um bugue e estiver de carro, basta pedir ajuda a um guia para que ele dirija o seu pela praia. Eles sobem as dunas sem atolar usando uma técnica que consiste em murchar os pneus.

A cada metro dessa estrada de areia há uma paisagem que vale fotos ou simples apreciações. Aliás, o Ceará inteiro pode ser visto com olhos deslumbrados por contrastar a diferença existente entre os outros estados do país. Todavia, ao chegarmos de volta e nos depararmos com os arranhas céus de São Paulo, percebemos que ainda dá para ser feliz em outro lugar, mesmo dentro do nosso Brasil. Sim, porque estresse é lá que se alivia.

Fernando de Noronha - Pernambuco

(Publicado em agosto de 1999)


“Fernando de Noronha é um lugar para se conhecer, desvendar, descobrir e nunca mais esquecer.” - Tadeu Lourenço de Lima, administrador geral, novembro de 1998.

Esmeralda do Atlântico

Partindo de Natal ou Recife, em um avião com capacidade para acomodar 30 passageiros, os vôos diários com destino a Fernando de Noronha são sempre diferentes. O comandantes e os comissários que o digam. Entretanto, eles fazem questão de dividir esse privilégio com os turistas, fornecendo informações durante o tempo de espera enquanto sofremos ansiosamente até avistarmos a Esmeralda do Atlântico.

O sobrevôo que o comandante resolve fazer ao se aproximar do arquipélago é uma prévia do que veremos quando chegarmos lá embaixo. A responsabilidade e o privilégio de poder contemplar a ilha mais cobiçada por amantes da natureza e do mar é tão grande, que é capaz de anular qualquer tentativa de preguiça ou cansaço. Principalmente pelo fato de se precisar andar, e andar muito, para desvendar os lugares mais escondidos. Caminhos esses que passam no meio do mato, do barro, de trilhas, de escadarias, fendas e barrancos que os bugues (principal meio de transporte na ilha) muitas vezes não alcançam.

Sim, é preciso passar pelo inferno para chegar ao paraíso ou, se preferir, é preciso agüentar a tempestade para ver o arco-íris. Porém, quando a mata dá uma brecha, a paisagem ao fundo compensa qualquer esforço. O mar de águas ora verdes ora azuis, mas sempre cristalinas, excede nossas expectativas.

Agenda cheia
Coisas para fazer é que não faltam em Noronha. Praticar o mergulho autônomo (com cilindro de ar comprimido) é uma das atrações para quem está habilitado, podendo, inclusive, observar tubarões, tartarugas, arraias, peixes coloridos, moréias, além de lagostas, polvos, corais, esponjas, algas e, se der sorte, pode ainda mergulhar em meio aos golfinhos rotadores que estão sempre por ali para descansar.

Quem não pode mergulhar a 15 ou 20 metros, pode sair bem satisfeito se contemplar o mar da superfície, porque a visibilidade pode chegar a 50 metros, dependendo da época do ano (entre julho e setembro as águas são mais transparentes). Praticando o mergulho livre ou o snorkeling (com máscara e respirador) é possível admirar os peixinhos coloridos que estão espalhados por todas as praias, assim como as arraias-manteiga, que ficam no rasinho e se camuflam no fundo de areia.

Outro passeio interessante é o de barco que, muitas vezes, já está incluso no pacote de viagem. A embarcação navega de uma ponta a outra da ilha pelo chamado Mar de Dentro, pois sua face é voltada ao continente e não venta muito. A maior parte das praias, e também as mais belas, fica desse lado. Durante o passeio é possível conhecer as ilhas secundárias que compõem o arquipélago, assim como passar pela Baía dos Golfinhos e chegar até a Ponta da Sapata, extremo oeste da ilha principal que também é o nome do arquipélago. Lá está o Portal da Ponta da Sapata, uma fenda no meio da rocha com a forma do mapa do Brasil.

Aprendendo a lição
Durante a caminhada histórica, que começa na principal vila da ilha, a dos Remédios, pode-se observar a Igreja Nossa Senhora dos Remédios, único templo católico cujo padre visita duas vezes por mês para realizar casamentos, batizados e missas em geral. Observamos o Palácio São Miguel, atual sede administrativa da ilha; o Banco Real, o único, inaugurado em 1974, instalado na antiga escola de Noronha; o museu e o Forte Nossa Senhora dos Remédios. Sua base foi construída por holandeses em 1629 e foi terminado em 1736 pelos portugueses. É também a construção mais antiga da ilha. Não deixe de observar o calçamento construído pelos presos.

Chegando ao topo, após vencer a barreira de um lugar sombrio, pois existiam muitas celas e solitárias, a paisagem é deslumbrante. Do lado direito está o Porto Santo Antônio. Se a palavra “porto” é associada ao Porto de Santos, esqueça. Porto com óleo diesel nas águas, mal cheiro, mercado de peixe, prostituição está longe de ser uma referência ao porto que se tem na ilha. Só para ilustrar, é lá que os alunos dos cursos de mergulho fazem suas aulas práticas ao invés de usarem piscinas construídas pelo homem. Os peixinhos sempre dão o ar de sua graça por lá.

Mercado de peixe só se for de Tubalhau feito pelos quiosques vizinhos. Esse prato típico, mas encontrado apenas no porto, é feito com carne de tubarão da mesma forma como fazemos o bacalhau.

Do outro lado estão o Mirante e a praia do Cachorro. A praia tem esse nome porque havia uma bica natural que jorrava água permanentemente no século passado. Havia, também, uma cara de cachorro, em bronze, por onde a água corria. Esta bica desapareceu neste século e só ficou o forró mais badalado pelos ilhéus e pelos visitantes.

Ao lado da praia do Cachorro estão a do Meio e da Conceição, as mais próximas do centro e por isso as preferidas dos ilhéus. Logo já é possível ver o Morro do Pico, o ponto culminante da ilha a 323 metros de altura acima do nível do mar. Só ver, porque, no passado, alguns aventureiros subiram e escreveram seus nomes e hoje está proibido por tempo indeterminado.

Passeio de um lado
Uma forma de conhecer essas praias é fazendo o passeio chamado Ilha Tour, realizado a bordo de bugues com motoristas, que nada mais são que nativos da ilha e que conhecem os acessos mais fáceis.

Depois, já vem o Forte São Pedro de Boldró. Ele serviu como base aos americanos que ali se instalaram durante a Segunda Guerra Mundial. O nome da praia surgiu devido ao Morro do Pico que eles chamavam de Bold Rock (Pedra Cheia). A partir de uma corruptela bem brasileira, a praia ficou simplesmente Boldró. Não por acaso, também, a praia ao lado se chama Americano, lugar em que os soldados mais gostavam de ficar para repousar. Lá existia também uma noitada, o forró. Outra corruptela, porque os americanos chamavam de for all (para todos) os bailes de arrasta-pé que freqüentavam para se integrar à comunidade local (há controvérsias porque historiadores dizem que o termo vem de forrobodó).

A seguir, temos a praia do Bode, Quixaba e Cacimba do Padre, nome originado porque um padre descobriu uma fonte de água potável. Dizem que “quem bebe de sua água jamais esquece Fernando de Noronha e volta um dia”. É lá que estão os famosos morros Dois Irmãos. Famosos porque quem já viu fotos de Noronha com certeza viu uma dos Dois Irmãos. Eles estão para o arquipélago assim como o Pão de Açúcar está para o Rio de Janeiro e a Estátua da Liberdade para Nova York. Andando um pouco mais, chega-se à outra trilha e, então, a Baía dos Porcos. Piscinas naturais formam a baía proporcionando mais contemplações do fundo do mar, para ironizar seu nome de batismo. Porcos, ali? Só os turistas mal-educados que deixam seus vestígios em forma de latinhas de refrigerante e garrafas de água mineral.

A mais bela
Mais uma trilha e, finalmente, a praia do Sancho. Finalmente porque essa é a mais linda das praias de Noronha por vários motivos que você descobrirá quando pisá-la. Se a maré estiver alta, não dá para chegar nem à Cacimba do Padre beirando a água e, para chegar ao Sancho existe um outro modo bem mais difícil, que é por cima. É preciso caminhar no meio da lama, descer escadas verticais de ferro, enfrentar pingos da cachoeira, pedras e lugares estreitos que só passa o próprio corpo. Entretanto, durante toda a empreitada, dá para admirar a bela vista que se tem de lá. O mar de águas verdes é calmo, a areia é limpa e a paz é imensa. Palavras não conseguem exprimir a sensação de estar no Sancho, nem a saudade, mas como eu havia explicado, só estando lá para ver, e sentir.

A Baía dos Golfinhos não possui praia, tampouco podemos nos aproximar dela, mas é possível esperar lá do mirante que eles se aproximem. Existem cerca de 700 deles, onde estão reunidas as condições necessárias para que eles possam se reproduzir e viver sem problemas. Essa espécie só é encontrada também no Havaí, por isso que é proibido mergulhar junto com eles.

Os golfinhos rotadores (Stenella longirostris), como são conhecidos por rodopiar em volta do próprio eixo como uma forma de se comunicar com os outros do grupo, voltam ao amanhecer e ao entardecer para descansar.

Existe um passeio que começa às 5 horas da manhã, saindo da pousada, e percorremos uma trilha a pé e no escuro (o sol nasce às 6h), apenas com a ajuda de uma lanterna. Do alto podemos observar a baía, mas, justo quando fui contemplá-los, deram o cano. Mas, estando em férias, tudo é motivo para brincadeira.

Sucesso mesmo fizeram os lagartos, cujo nome científico é Mabuya maculata. Uma espécie de lagartixa maior e com coloração escura, se compararmos com aquela que estamos acostumados a ver. Simpáticos ao extremo, não fossem eles os únicos ladrões da ilha que farejam doces de longe e correm para comer em nossas mãos. Com certeza um espetáculo à parte.

Turismo
Os visitantes são constituídos por um batalhão de turistas que desembarcam diariamente num número assustador de 31 mil visitantes por ano. Contando que a população local é de 2.500 habitantes, dá para notar a disparidade que ocorre, principalmente, em alta temporada. Nessa época falta água pelo fato de o abastecimento ser a chuva. Isso quer dizer que não existem nascentes nem fontes de água potável. Por isso, a água da chuva é reservada em depósitos com capacidade 300 mil metros cúbicos e é o maior da América Latina. Após receber um tratamento, é distribuída para a população. Mesmo assim ela não chega a ser potável.

Hotel só existe um, o Esmeralda, que mais vale por sua origem pitoresca, que pelo seu serviço. Ele foi construído pelos americanos durante a Segunda Guerra. Os visitantes ficam mesmo em pousadas que são instaladas nas casas dos ilhéus geralmente com ar-condicionado, frigobar e banheiro privativo. Na hora do banho, para quem não está acostumado, a água é fria e salobra.

Não é à toa que Noronha é conhecida por ser a terra do Não. Ela possui normas e regulamentos lógicos, por exemplo: não se pode carregar de lembrança conchinhas, pedras, corais, esqueletos de peixes ou aves, pois a formação da areia depende da decomposição desses organismos marinhos. Isto quer dizer que a areia da ilha é de composição orgânica.

O fornecimento de energia elétrica é feito 24 horas por dia com ajuda de motores geradores que chegam aos consumidores a 220 V.

Não há cinemas na ilha, mas há palestras promovidas pelo Ibama todas as noites com projeções de slides e filmes que contam a história da ilha e conscientizam tanto seus moradores quando os visitantes a respeito da importância da proteção do arquipélago como um todo. Esse trabalho visa atingir principalmente as crianças, que serão os adultos de amanhã.

Outro lado
Continuando nosso passeio por Noronha, poderemos, agora, conhecer um pouco das praias localizadas no Mar de Fora, cuja face é voltada para o oceano. Lá estão praias como a do Leão, localizada no extremo sul da ilha. Ela recebeu esse nome pelo fato de a forma da ilha em frente se parecer com um leão marinho. Periodicamente, as tartarugas marinhas vão para desovar.

A praia do Sueste é o maior aquário natural e, na maré baixa, formam piscinas de baixa profundidade, ideal para observação da flora e fauna marinha. É nessa praia que está localizada a Sede do Projeto Tamar, responsável por preservar e monitorar as tartarugas da região, desde os ovos até o nascimento e crescimento dos filhotes. Atalaia também possui piscinas, mas, por ser um local onde ocorrem reproduções marinhas, não é permitido usar protetor solar nem bronzeador para não contaminar os seres marinhos.

Depois só falta conhecer o Buraco da Raquel, uma fenda na rocha que foi batizada com esse nome pelo fato de uma menina chamada Raquel, filha de alguém do alto escalão, ter problemas mentais. Ela ia a esse lugar para descansar e meditar e então acabou por batizá-lo com seu nome. Essa é uma das muitas lendas sobre o tal buraco.

Bem ao lado está o Air France. Local ocupado pelos franceses que fica bem no encontro do Mar de Dentro com o de Fora. Por isso, vá no final da tarde para contemplar o pôr-do-sol e admirar as ilhas secundárias que ficam próximas.

Com a ilha já visitada, só falta escolher a melhor para poder aproveitar o dia, ou o resto dos dias, e se deliciar com a paz e a tranqüilidade possíveis de se adquirir com a presença de uma natureza generosa e torcer para poder voltar em breve. Mas não se esqueça de se despedir quando estiver dentro do avião passando por cima da ilha novamente, mesmo que escorra uma lágrima de saudade.

A rica história de uma ilha
O navegador Américo Vespúcio, em uma das expedições descobridoras comandada pelo português Gonçalo Coelho, em 10 de agosto de 1503, protagonizou um naufrágio em uma ilha e foi considerado seu descobridor. O rei de Portugal d. Manoel fez a doação em forma de capitania hereditária para o fidalgo português chamado Fernão de Loronha, responsável financeiro pela expedição. Embora ele nunca tenha pisado lá, a ilha foi batizada com seu nome e seus descendentes reclamaram sua posse ao longo de dois séculos.

Embora Fernando de Noronha já constasse em cartas náuticas desde 1498 e ter sido ela a primeira capitania hereditária a receber o estanco (monopólio real), em 1502, a data da descoberta ficou definida quando um português bateu sua nau em uma de suas pontas.

Em 1504, a ilha mais cobiçada do Brasil ficou a mercê de aventureiros franceses, holandeses e ingleses, e cada civilização a batizava com um nome diferente. Já se chamou Quaresma, São João, São Lourenço, Delfine, Fernandez, Pavônia, Fora do Mundo, Fernão de Loronha e, por fim, Fernando de Noronha.

De mão em mão
Os franceses tomaram posse várias vezes nos séculos 16, 17 e 18 e os holandeses em meados do século 17. Os portugueses expulsaram os franceses em 1737 e ergueram mais de dez fortes, dos quais existem hoje apenas dois: São Pedro de Boldró e Vila dos Remédios. Por ser Pernambuco a capitania hereditária com maior capacidade para tomar posse, o arquipélago foi anexado a ela.

De 1726 a 1942 a ilha servia de presídio comum devido ao seu isolamento geográfico. Em 1938 Getúlio Vargas requisitou a ilha para instalação de presídio político e, em 1942, tornou-se Território Federal subordinado ao exército até 1981. Pertenceu à aeronáutica até 1986, ao EMFA até 1987 e ao Minter até 1988. De 1987 a 1988 teve seu governo próprio e, então, foi reanexado a Pernambuco por força constituinte, tornando-se Distrito Estadual do Estado de Pernambuco, dirigido por um administrador indicado pelo governador, referendado pela Assembléia Legislativa com aval da Assembléia Popular Noronhense.

Fernando de Noronha foi aberta ao turismo em 1972 e, desde 1988, o arquipélago passou a fazer parte de um Parque Nacional Marinho, de acordo com o Decreto Lei 96.693. Atualmente está sob os cuidados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) que coordena a fauna e flora marinha e determina regras para que esse pedacinho do paraíso possa ser preservado.

Ao todo são cerca de 112 quilômetros quadrados de terras e águas que abrigam um importantíssimo complexo de vida marinha encontrada em raríssimos lugares do mundo. Por determinação das autoridades locais, são permitidos desembarcar 420 turistas por semana e o governo de Pernambuco cobra taxas de permanência com valores progressivos para desencorajar estadas demoradas, sendo que 50% da arrecadação é investida em recolhimento, reciclagem e envio do lixo para o continente (70% do lixo de Noronha é produzido em função de atividade turística). Os outros 50% são investidos, obrigatoriamente, em implantação e melhoria da infra-estrutura da ilha.

A população é constituída por descendentes de presos (uma ironia pelo simples fato de que Noronha possui uma taxa de criminalidade igual a zero), militares, migrantes e imigrantes. O Censo de 1998 registrou 1.700 habitantes e em 1999, 2.500. Morar lá? Só quem vai a trabalho ou casa com um nativo. É necessário possuir moradia e pedir autorização. Parece que estamos em outro país, né? Talvez, mas acredite: aquela terra é toda nossa e é só mais um pedacinho do Brasil que está sendo preservado para não acabar em destruição.

Localização e origem
O arquipélago é de origem vulcânica há mais de 10 milhões de anos e sua base está cravada a quatro mil metros da superfície, tendo 60 km de diâmetro. É formado por 21 ilhas e ilhotas, sendo seis principais: Fernando de Noronha, a maior com 26 km quadrados, Rata, do Meio, Lucena, Sela Ginete e Rasa e está localizado em alto-mar, a 360 km de Natal (1h10), 545 km de Recife (1h40) e 255 km ou 5º da linha do Equador e existe a diferença de fuso horário de uma hora a mais em relação a Brasília.

Mesmo pela distância, Noronha pertence a Pernambuco desde 1988. Não é à toa que as agências de viagens oferecem pacotes de turismo para lá, embora eles sejam um dos mais caros dentro do Brasil (não fosse a variação do dólar, sairia mais barato ir ao Caribe). Mas muitos ainda preferem gastar seus reais por aqui, ainda bem! Os pacotes são conjugados com Recife ou Natal, pelo fato de o vôo que vai para lá sair exatamente dessas duas capitais. Mas vale a pena. Aproveite para ir antes que o mundo acabe, ou pelo menos antes que o Ibama decida inibir cada vez mais os turistas de aportarem por lá. Mas não se esqueça de preservar o lugar que, mais do que nunca, é nosso!!!

Normas e regulamentos do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha (Parnamar- FN). É proibido:

- Caça ou pesca submarina ou portar materiais para essa atividade;
- Introduzir animais ou plantas;
- Coletar conchas, corais, pedras, animais;
- Visitar as praias do Leão e do Sancho entre janeiro e junho das 18h às 6h;
- Nadar, mergulhar e parar embarcações próximas à Baía dos Golfinhos;
- Visitar as ilhas e ilhotas;
- Acampar, pernoitar e fazer fogo;
- Visitar as áreas que não sejam de uso público do parque sem autorização;
- Parar embarcações, com exceção da utilização dos bancos de areia da praia do Sancho ou das poitas do Sueste;
- Escrever ou pichar em rochas, árvores ou placas.

O não cumprimento acarreta em multa e apreensão do equipamento.