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quarta-feira, 25 de julho de 2012

Plaza Athénée

Suíte com decoração clássica: tal como as suítes que ocupam seis andares do Plaza

Já seria excelente se hospedar no Plaza Athénée, hotel na Avenue Montaigne, a mais luxuosa em Paris, por seu serviço, por seus restaurantes terem como chef o renomado Alain Ducasse. Mas há algo a mais. O hotel está próximo à Avenue des Champs-Élysées (a avenida mais famosa do mundo) e monsier Christian Dior costumava ficar aqui quando ainda trabalhava com Yves Saint Laurent, antes de ter a sua própria grife.

Segundo dizem, por gostar muito do hotel, Dior escolheu a avenida para abrir a sua primeira loja. Além dele, outras tantas celebridades selecionaram o Plaza Athénée para serem recebidas durante a sua estada na Cidade Luz.

Nos corredores do subsolo há paredes e mais paredes com fotos dessas pessoas importantes que passaram por aqui, seja da alta costuma, seja do cinema, da música, da política etc. De tempos em tempos, um filme é rodado no Plaza. Um dos mais recentes foi Alguém tem que Ceder, com Jack Nicholson. Além dele, já pisaram o tapete vermelho do Plaza Roman Polanski, Marlene Dietrich, Grace Kelly, Bono Vox, Sarah Jessica Parker. E mais uma lista imensa de celebridades.

Terrace Eiffel Suite
Por falar em Sarah, foi o Plaza Athénée que a sua personagem mais célebre, a jornalista Carrie Bradshaw, do seriado Sex and the City, escolheu para se hospedar durante seus dias na cidade. As cenas dentro do hotel são deslumbrantes, principalmente porque ela fica na Terrace Eiffel Suite, inaugurada em 2006, com vista para a Avenue Montaigne, o rio Sena e, claro, para a Torre Eiffel. As janelas da suíte oferecem visão 360º para o céu de Paris e seus telhados organizados por Georges Haussmann. Isso porque ele foi convocado pelo imperador Napoleão III a transformar Paris da então cidade medieval, para a moderna capital que vemos hoje. O estilo adotado ficou conhecido como estilo francês.

Inaugurado em 1913, o Plaza Athénée fica perto do Champs-Élysées Theatre. Não precisou muito para que o hotel e seus restaurantes se tornassem destino certo dos habitués do teatro que apresentava peças até tarde da noite.

Foi a partir de 1947, porém, que a avenida assistiu à nova transformação. Naquele seu ateliê, monsier Dior costurou o que ficou conhecido como new look e revolucionou a moda feminina. Pouco a pouco, a avenida começou a receber as grandes maisons, como Chanel, Gucci, Dolce & Gabanna e tantas outras.

Ao todo, o Plaza possui 191 quartos distribuídos em oito andares. Dois deles são decorados no estilo art déco (com linhas geométricas); os outros seis, são clássicos. Há quatro suítes master, de 180 a 500 metros quadrados, destino certo principalmente de reis e presidentes. De acordo com Isabelle Maurin, diretora de comunicação do hotel, os hóspedes vêm, principalmente, dos Estados Unidos, Rússia e do Brasil. Ela conta que a embaixada do Brasil na França era próxima ao hotel, que por isso costumava receber muitos brasileiros. “Recebemos o apelido de ‘grande pequeno hotel’”, diz Isabelle, referindo-se ao local aconchegante, agradável e com serviço de primeira.

Embora o hotel tenha passado por duas grandes Guerras – foi inaugurado um ano antes do início da Primeira Guerra Mundial –, não serviu como hospital, tal como aconteceu com o Lutetia e outros hotéis chiques de Paris. Ele sempre foi chique, mesmo durante as guerras, e assim continua até hoje.
Em 2008, para dar continuidade à história de Dior no Plaza, a marca foi escolhida para abrir o SPA no subsolo do hotel. Na parede, croquis assinados por Dior, além de uma grande tela de TV com o último desfile da marca.

O local é clássico, todas as cabines são da mesma cor e o cliente ainda pode comprar os cremes para dar continuidade ao tratamento em casa. A academia é aberta ao público e há um vestiário com armários e todos os apetrechos para o banho ao final.

O Plaza Athénée tem serviço personalizado e o hóspede pode escolher até o tipo do travesseiro que prefere. O café da manhã é servido no quarto exatamente no horário escolhido. Como experiência, em um dos dias que fiquei hospedada, marquei o café para 5h30 (sim, jornalista sofre…) e, pontualmente, alguém batia a porta. Comentei com o garçom que ele estava no horário e ele me respondeu: “Fazemos o possível para atender”. E, por duas vezes que pedi o café no quarto, o horário foi rigorosamente cumprido. Uma pontualidade britânica, mesmo em Paris.

Alain Ducasse au Plaza Athénée, restaurante três estrelas no Guia Michelin

Restôs
Para conhecer a cozinha de um dos chefs mais famosos do mundo, o Plaza Athénée é o destino. Desde 2000, o chef Alain Ducasse supervisiona todos os restaurantes do hotel. Isabelle explica que nada pode ser mexido no cardápio sem autorização de Ducasse. Nem precisa. O restaurante Alain Ducasse au Plaza Athénée, três estrelas no Guia Michelin, tem decoração de Patrick Jouin, discípulo de Philippe Starck e premiado em Milão. Para o local, onde também é servido o café da manhã, o decorador escolheu o estilo Louis XV. Os três lustres no teto são de fazer o visitante perder o fôlego, tamanha é a grandiosidade. Mas de cair o queixo, mesmo, é o menu, que traz uma nova visão da alta gastronomia francesa.

Le Relais Plaza é o bistrô chique do hotel, local escolhido por muitos parisienses que passam por ali e que navegam pelo mundo da moda, dos negócios e do show business. Na última quarta-feira de cada mês acontece o evento Swing’in Relais, com apresentação de jazz. Na segunda segunda-feira do mês, é a vez do Harmonies du Soir. O cardápio é típico das brasseries parisienses. Já La Galerie des Gobelins é o local que fica aberto até a meia-noite e o preferido das pessoas que estão de passagem ou aguardando para jantar. Ali é possível pedir drinques e petiscos.

Foi em 2 de maio que La Cour Jardin reabriu as suas portas com novo cardápio com toque mediterrâneo. O ambiente é incrível, rodeado de verde não apenas no jardim, mas também nas paredes do hotel, com sua trepadeira que forra a fachada inteira, dando ar e cores da primavera parisiense. Não há friozinho que os aquecedores não resolvam. Se chover, os enormes guarda-chuvas dão conta do recado. No inverno, o cour (pátio) se transforma em uma pista de patinação no gelo para as crianças. Local ideal para brincar no Natal, não?

Embora o cardápio seja assinado por Alain Ducasse, o chef de La Cour Jardin é Christophe Marleix. Entre as sugestões, pratos elaborados com lagosta, peixe e carne. O filé com nhoque gratinados é excelente e ao ponto ideal. De sobremesa, sorvete para refrescar a noite!

Le Bar du Plaza é um dos hot spot que precisam ser conhecidos

O bar do Plaza é um caso à parte, um dos hot spot que precisam ser conhecidos, mesmo que você não esteja hospedado no hotel. A decoração é impecável, incluindo um fogo virtual na lareira. O lado de fora foi criado depois que começou a ser proibido fumar internamente. A diretora de comunicação o compara com os bares de Nova York e afirma que ele tem a ver com a cidade. “Muita gente vem conhecer e pode ter sido este o motivo que Sarah Jessica Parker tenha escolhido o hotel para gravar o episódio final do seriado Sex and the City”, explica Isabelle.

No cardápio, petiscos e uma lista enorme de drinques inusitados, apresentados pelo garçom no iPad. Se preferir comer algo que não conste do menu do bar, é só pedir. Os garçons, atenciosos, solicitam para a cozinha do outro restaurante.

Para a temporada, o diretor do bar, Thierry Hernandez, e Sophie Labbé, uma das mais talentosas designer de perfumes do mundo, criaram, juntos, Printemps. Primeiro começaram com a pesquisa de um perfume e de um coquetel que pudesse encantar o paladar e o nariz. Os dois, portanto, uniram suas experiências e criaram o drinque e o perfume que se completam. E, ao pedir a bebida, o cliente leva L’Elixir de Printemps de lembrança para casa.

Outro destaque gastronômico do Plaza Athénée é a criação de Christophe Michalak e Jean-Marie Hiblot, que prepararam doces incríveis não apenas no sabor, mas também na aparência. Na vitrine localizada em La Galerie des Gobelins, o hóspede se encanta com as formas de chocolate: chinelo de dedo (em alusão ao verão), ursinho, barra com o signo personalizado do cliente, entre muitos outros. Luxo e atenção que poucos hotéis têm condições de oferecer ao hóspede e que fazem toda a diferença!

Hôtel Plaza Athénée 25 avenue Montaigne, 75008, Paris, tel.: (0) 1 53 676 665

*A jornalista Tatiana Babadobulos viajou a Paris a convite do Comité Colbert

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Champagne

Em Reims, Praça Drouet, onde restaurantes disputam atenção dos visitantes


Em uma das minhas idas e vindas a Paris, decidi conhecer a região de Champagne, com visita a uma das inúmeras caves que aceitam passeios de turistas. A partir de Paris, comprei passagens (cerca de 30 euros por trecho) de trem (TGV), saindo da Gare de l’Est, e, em menos de uma hora depois, desembarcava em Reims. O trajeto também pode ser feito de carro, percurso no qual o turista pode ir parando no caminho. Nesse caso, são 150 quilômetros de Paris.

É em Champagne, esta região localizada no noroeste da França, o local onde se produz a bebida de mesmo nome feita a partir do vinho e cheia de borbulhas perfeita para comemorações. Se não for fabricada aqui, ela vai ter outro nome, que pode variar, por exemplo, entre prosecco, espumante, cava, sidra e assim por diante.

O nome correto da região é Champagne-Ardenne. Uma lei de 1927 delimita a área de produção controlada (Appellation d’Origine Contrôlée - AOC), que compreende 34 mil hectares em cinco sub-regiões: Marne, Aube, Aisne, Haute-Marne e Seine-et-Marne, que produzem as uvas Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier. O tesouro, porém, é guardado sob toda a terra na qual se pisa. Isso porque é no subsolo que estão as caves dos grandes e dos pequenos produtores de champanhe. Ao todo, são 250 quilômetros (150 km só em Reims) de caves e galerias que guardam as 300 milhões de garrafas produzidas por ano. Só a França consome 180 milhões delas. O restante segue para o mundo. O Brasil, aliás, já é um dos consumidores assíduos da bebida.


Catedral Notre-Dame de Reims
É verdade que muitos visitantes escolhem o local para desfrutar do vinho espumante, mas há muito o que se fazer em Reims, por exemplo. A começar com a Catedral Notre-Dame de Reims, uma das maiores realizações da arte gótica da Europa. Não é à toa, aliás, que ela remete à bela Catedral de Notre-Dame de Paris. Representante do século 13, a catedral é única por seu estilo, brilho e coleção de estátuas. O local também já foi palco de diversas coroações reais. Quando estive por lá, sua fachada passava por restauração.

Na rua principal, diversos restaurantes colocam suas mesas nas calçadas durante a primavera e o verão europeu a fim de disputar as atenções dos turistas. Há ainda parque de diversões para entreter as crianças e galerias com inúmeras lojas, inclusive as que comercializam o bom champanhe, de diversas maisons.

Se tiver mais tempo em Reims, programa cultural não falta. Próximo à Catedral está o escritório de turismo da cidade. É um local confuso, sem muita informação, mas pelo menos há um guia de bolso com os endereços das maisons e dos principais pontos turísticos. Há museus, capelas e até mesmo caves para serem visitadas, já que quatro de seus monumentos são considerados Patrimônios Mundiais da Humanidade pela Unesco (Catedral Notre-Dame, Basílica Saint-Remi, Palácio do Tau e Museu Abbaye Saint-Remi).

Como a visita que havia agendado era na Moët & Chandon, localizada em Épernay, peguei um outro trem, com duração de menos de 20 minutos. O tíquete, que custa 6 euros, pode ser comprado na própria estação, inclusive nos terminais eletrônicos, com ajuda do cartão de crédito.

Visitante tem a oportunidade de conhecer como ficam armazenadas as garrafas de champanhe
Épernay
Épernay fica ao sul, no Vale do Marne. Aqui, a avenida principal não poderia ter outro nome, senão Avenue de Champagne. Além da Moët & Chandon, estão também em Épernay Bollinger, Perrier-Jouët, Mercier, Pol Roger. Já em Reims, podem ser visitadas a Veuve Clicquot Ponsardin, Piper Heidsieck, Pommery, G.H. Mumm, Taittinger, Lanson, Ruinart, Ayala, Deutz e outros produtores.

Antes de visitar a cave (que é preciso agendar com antecedência), aproveitei para dar um passeio a pé pelo centrinho, e comer algo, já que a visita geralmente inclui degustação. Como saí cedo de casa, comi uma baguete comprada na boulangerie da praça.

O agendamento foi feito para o grupo com guia que falaria francês, mas, para minha surpresa, o guia também falava português, embora os outros visitantes preferissem o idioma nativo. Sendo assim, tirei uma dúvida ou outra com o especialista durante o passeio que conta a história de duas famílias: Moët e Chandon.

Criada no século 18, Moët & Chandon é atualmente proprietária de um território rural que cobre mais de mil hectares, e suas caves possuem a maior extensão de toda a região de Champagne. Durante o passeio, o visitante anda por seus corredores e conhece o local onde as garrafas descansam antes de ficarem prontas até serem levadas para o mercado nacional ou exportadas. Ao fundo, trancada com correntes e cadeado, há um dos primeiros exemplares da bebida. O preço? Impagável, disse o guia.


Edição especial de Dom Pérignon
Depois das explicações, chega a hora mais esperada: a da degustação. Uma taça por pessoa, dependendo do pacote que comprou. Na sequência, funciona como nos parques de diversão da Disney: antes da porta de saída está a lojinha. E lá há várias opções, principalmente as safras especiais, modelos recém-lançados e que geralmente só chegam ao Brasil três, quatro meses depois, a outros preços, é claro. Por todos os lados, fotos da atriz Scarlett Johansson, musa da maison, que estrela suas campanhas publicitárias, com imagens de duplo sentido.

Durante o passeio, se bater uma sede, procure por um local onde vende a bebida produzida ali mesmo! Você não vai se arrepender!

Agende a visita
Ayala
Bollinger
Deutz
G.H. Mumm
Lanson
Mercier
Perrier-Jouët
Piper Heidsieck
Pommery
Pol Roger
Moët & Chandon
Ruinart
Taittinger
Veuve Clicquot Ponsardin

Mais informações
Champagne
Épernay
Reims

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Stanley Kubrick

 Exposição itinerante que começou na Alemanha chega a Paris

Quem estiver em Paris até 31 de julho terá a oportunidade de ver a exposição dedicada ao diretor Stanley Kubrick, na Cinemateca Francesa. Autor de filmes como "Laranja Mecânica", "2001 – Uma Odisséia no Espaço" e "De Olhos Bem Fechados", entre outros, Kubrick também foi homenageado durante o Festival de Cannes neste ano, já que sete de seus filmes foram restaurados e projetados na ocasião.
Esta é a primeira vez que a Cinémathèque Française abriga uma exposição itinerante que não foi iniciada pela própria equipe, mas sim por outras instituições.
Isso porque a mostra pertence ao Deutsches Filmmuseum de Frankfurt, na Alemanha, e à Hans-Peter Reichmann, seu comissário, que desde 2004 organizou a exposição com Christiane Kubrick, Jan Harlan e Stanley Kubrick Archive, em Londres. Desde então, a exposição passou por diversas cidades, como Berlim, Zurique, Roma e Melbourne. 

Cena de "2001 - Uma Odisséia no Espaço"
Na ocasião, o visitante pode acompanhar roteiros, cartas, documentos de pesquisas, fotos de turnês, roupas e acessórios em encenação cronológica, de modo que pode conferir a evolução da obra de um dos grandes mestres da sétima arte: de seus primeiros curtas-metragens ao seu último filme De Olhos Bem Fechados, com Tom Cruise e Nicole Kidman, passando por seus filmes históricos, como O Iluminado, estrelado por Jack Nicholson. Há ainda uma retrospectiva de filmes de Kubrick, livros, números especiais de revistas que fizeram referência ao diretor.

A mostra está no quinto e no sétimo andares da Cinématèque, ocupando um total de mil metros quadrados. A cinemateca está fechada às terças-feiras, mas a exposição pode ser visitada de segunda a sexta, das 12h às 19h, sendo que às quintas fica aberta até às 22h. O ingresso custa 10 euros.

Cinémathèque Française Rue de Bercy, 51, 75012, Paris, te l.: 01 71 19 33 33

quarta-feira, 23 de março de 2011

Hôtel de Crillon

No coração de Paris, na Place de la Concorde, 
o hotel exala luxo e história

 

Em 1758, o rei da França, Louis XV, pediu para que o mais aclamado arquiteto da época, Jacques-Ange Gabriel, construísse duas estruturas na Place de la Concorde, no coração de Paris. O resultado foi uma verdadeira obra-prima da arquitetura do século 18. A praça, aliás, foi batizada de Louis XV, e só mudou de nome, para o atual, em 1792.

No local, ele também pediu que o escultor Bouchardon fizesse uma estátua sua que, naturalmente, passou a ocupar o centro da praça. Além da estátua do rei a cavalo, há obras de Pigalle, simbolizando a paz, justiça, força e prudência. E a Place de la Concorde também foi palco, em 1770, para a comemoração do casamento do futuro Louis XVI.

Após a Revolução Francesa, o Primeiro Cônsul decidiu retirar a estátua da Liberdade, que tinha tomado o lugar da efígie real. Em 26 de outubro de 1836, o Obelisco de Luxor foi erguido com o máximo cuidado sob o olhar atento de uma multidão de parisienses. 

O Obelisco, principal ponto da praça, tem nada menos que 23 metros de altura e pesa 220 toneladas. Presente do sultão Mehmet Ali à França e a Charles X, em 1831, tornou-se um dos monumentos mais conhecidos da Cidade Luz. Trata-se, na verdade, de uma homenagem ao deus do sol do Egito Antigo, e fica em perfeito alinhamento com o Museu do Louvre e com o Arco do Triunfo, principalmente se visto a partir do pórtico do Museu mais famoso do mundo.

Localizada entre o jardim des Tuileries e a avenue des Champs-Élysées, a Place de la Concorde tem se tornado ao mesmo tempo um lugar de festa e de revolta ao longo dos séculos. Além de ter sido cenário para fotos e cenas de filmes, a praça, atualmente, é um lugar muito admirado por milhões de visitantes que vão a Paris apreciar seus monumentos, principalmente à noite, quando está toda iluminado.

Tudo isso para contar a história e saber a importância da praça, porque é lá onde está instalado o Hôtel de Crillon, em um casarão que outrora fora uma suntuosa residência privada, decorada pelos melhores artistas e artesãos da época. Neste prédio, aliás, foi assinado o tratado franco-americano que reconhecia a Declaração de Independência dos Estados Unidos, assinado por Benjamin Franklin, Arthur Lee e Gérard Conrad, em 6 de fevereiro de 1778.

Suíte presidencial, em estilos Louis XV
De mansão a hotel
Foi a partir de 1909 que a mansão foi transformada em um hotel de luxo, pela família Crillon, e começou a hospedar viajantes do mundo todo, principalmente aqueles que buscam conforto e serviço de luxo. Entre os ilustres, já se hospedaram na antiga mansão o imperador Hirohito do Japão, o rei George V, da Inglaterra, o rei Juan Carlos e a rainha da Espanha, os  presidentes dos Estados Unidos: Herbert Hoover, Theodore Roosevelt, Richard Nixon, além de inúmeros outros estadistas, celebridades e artistas.

Membro do Leading Hotels of the World, tudo no Crillon é superlativo, principalmente quando se fala em bom tratamento e serviço diferenciado. Para o hóspede que acaba de ocupar um dos seus 147 quartos (sendo 44 suítes), música ambiente. E todos são espaçosos e luminosos, sempre com o charme da decoração estilo Louis XV, sem se esquecer do conforto moderno. São mármores, cristais, seda por toda parte, oferecendo uma atmosfera glamourosa e chique. Nos banheiros, as ammenities são da francesa Annick Goutal. Há ainda acesso gratuito à internet de alta velocidade com e sem fio, serviço de quarto 24 horas, climatização, televisor LCD e canais via satélite, telefone com correio de voz, roupões de banho e pantufas, minibar. Do alto, a vista é para a Torre Eiffel, outro símbolo da capital francesa.

Os hóspedes são formados por americanos, asiáticos, além de brasileiros, russos e árabes que procuram a infraestrutura que o local oferece, pois conta com fitness e business center, concierge disponível 24 horas por dia, recepção especial para mulheres, para crianças e butique.

Sem falar, é claro, dos restaurantes. Ao total são dois. Les Ambassadeurs oferece café da manhã, brunch aos sábados e domingos, almoço de terça a sexta e jantar de terça a sábado. O local é ímpar: com decoração estilo Louis XV, talheres de prata, porcelana e todo o serviço à francesa que se tem direito.

Já o L'Obe tem menu criativo, tornando-se o local ideal para um almoço ou jantar chique e descontraído. Já o bar, concebido pelo escultor César, oferece atmosfera parisiense e íntima a qualquer hora do dia. Le Jardin d'Hiver é o local onde se pode, a qualquer hora do dia, lanchar, se reunir. E Le Patio é o ambiente agradável para ser aproveitado de maio ao final de setembro (dependendo das condições meteorológicas), pois é o local do lado de fora do hotel, como se fosse uma varanda, com esculturas e jardim suspenso. Para finalizar, o salão Les Batailles é ideal para as grandes comemorações e banquetes e tem vista para a Place de la Concorde.

Um hotel cheio de pompa e rodeado de história, em um dos locais mais encantadores de Paris. O que se pode querer mais?

Hôtel de Crillon - 10, Place de la Concorde, 75008, Paris, tel .: 33 (0)1 44-71-15-40

domingo, 27 de junho de 2010

Caetano Veloso


Caetano Veloso apresentou hoje seu show em La Defense, perto de Paris. No local, brasileiros e estrangeiros curtiram o som do músico brasileiro, ainda que ele não tenha cantado suas composições mais conhecidas (pelo menos até o horário que eu consegui ficar vendo a apresentação).
Grande Arche, em La Defense, no fundo do palco de Caetano

O local é bem simpático, mas, apesar do horário (a partir das 19h),
o sol ainda estava muito forte e fazia muito calor.


De camiseta amarela, Caetano falou português e
francês com o público presente

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Eliminação da França

O clima é de decepção, de humilhação geral. Após a eliminação da França da Copa do Mundo 2010, depois da derrota para a África do Sul por 2 a 1, os franceses ficaram desolados. Mas, no fundo, já se sabia que este não era o ano da França e que, após o fiasco do primeiro jogo contra o Uruguai (empate sem gols), apenas um milagre poderia salvar a equipe. Afinal, matematicamente, antes do jogo contra os anfitriões, a França não estaria completamente eliminada. Isso porque era necessário ganhar dos Bafana Bafana e torcer pelo resultado de Uruguai e México.

A verdade é que os torcedores e a própria imprensa francesa nunca engoliram o técnico dos bleus (azuis, como é chamada a da seleção da França, por conta do uniforme), Raymond Domenech. Ele assumiu sua responsabilidade pela maneira como jogou a França. Aliás, em três jogos, saiu apenas um gol, marcado por Malouda.

Diferentemente do Brasil, a França não é o país do futebol, portanto a vida aqui continua... pelo menos na capital Paris, onde as pessoas continuam indo trabalhar normalmente (e enfrentando a segunda greve geral no período de quatro semanas) nessa quinta, 24, e torcendo para o time que pode ganhar a Copa. Se for o Brasil, um tanto melhor, pois a seleção canarinho e a da Espanha foram as apostas do ano por aqui. Quando digo que sou brasileira em algum lugar, em Paris, logo se lembram de Robinho e Kaká, mais até que de Ronaldo e Pelé, como era outrora.

A decepção, estampada nas capas dos jornais de quarta, 23, tomou conta dos noticiários. As reportagens falavam sobre o próximo passo, e até a secretária de esportes, Rama Yade, falou ao vivo sobre a tristeza de ter de voltar mais cedo da África do Sul. E, para finalizar, propõe uma nova alternativa para as próximas competições e que cada jogador deve honrar a camisa que veste e ser patriota de verdade quando canta “A Marselhesa” (o hino nacional francês). É a tal mistura de futebol e política que, como bem sabemos no Brasil, não funciona.

Na edição do dia 23, o “Direct Soir”, jornal que circula após às 16h nas estações de metrô de Paris (e que é editado pelo gigante “Le Monde”), uma página inteira é dedicada para a équipe de France. O artigo comenta que o time “deixou o mundial sem um pingo de honra”. E mais: “para o futebol francês, reduzido a um patético campo de ruínas, a obra é enorme”, principalmente para reverter a imagem que nem mesmo os franceses suportam.

No fim de semana passado, o jornal “L’Equipe” estampou na capa uma frase, digamos, nem um pouco politicamente correta, que o jogador Nicolas Anelka (expulso do time) teria dito a Raymond Domenech no intervalo do jogo contra o México, que terminou em 2 a 0 para os latinos.

Enfim, o lema é olhar para frente. Domenech deixa o cargo e passa a batuta para o campeão do mundo de 1998, Laurent Blanc, comandar a orquestra. O contrato ainda não foi assinado, mas é uma questão de poucos dias. A partir de então, acredita-se que uma nova era terá início no futebol francês. É esperar para ver.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Brasil na Copa

Na estreia do Brasil, ao invés de ir novamente para o Trocadéro, fui para o parque La Villette, que fica ao norte de Paris, onde há uma casa de show, o Cabaret Sauvage. Lá, a comunidade brasileira que vive na França costuma se reunir, bem como outras comunidades que curtem a cultura brasileira, haja vista que uma escola de samba praticamente completa de estrangeiros animou antes e após o jogo.

No entanto, pouco após o início do jogo, a candidata à presidência do Brasil, Dilma Rousseff, compareceu ao local vestindo a camisa verde-amarela ao lado de simpatizantes do PT. Depois de conseguir convencer a organização, consegui tirar umas fotos dela, mas o que mais me impressionou, sinceramente, foi a maneira como outros colegas jornalistas trataram a assessoria da candidata. Independentemente de qualquer partido (e se interessa a alguém nunca votei no PT), acho que respeito é tudo. E isso faltou aos colegas presentes. Só lhes sobraram arrogância, arrogância e arrogância.

Pelo que li agora pouco, parece que Dilma está na França para se encontrar com o presidente Nicolas Sarkozy nesta quarta-feira, 16, a fim de transmitir a ele o interesse de "dar continuidade à aliança estratégica" entre os dois países.

Também faz parte da agenda da petista entrevista ao jornal francês "Le Monde", reunião com a primeira-secretária do opositor Partido Socialista francês (PS), Martine Aubry, que, como ela, tem intenção de candidatura nas próximas eleições presidenciais francesas de 2012.

Apesar do aparente mal-humor, Dilma sorriu após o primeiro gol, mas nem fiz questão de ir atrás das fotos. Fiquei com esta sua marca registrada. Enjoy!

França x Uruguai



O jogo foi fraco, mas o evento foi sensacional. O telão montado pela prefeitura de Paris no Trocadéro, ao pé da Torre Eiffel, atraiu centenas de pessoas de todas as nacionalidades para acompanhar a partida.

Com o céu claro, sol e calor, as pessoas não paravam de chegar. Fui embora após o primeiro tempo para não pegar a multidão toda voltando para casa no metrô, mas também não perdi nada, pois a partida terminou em zero a zero.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Copa do Mundo: a grande expectativa

Loja de esportes em Val d"Europe tem camisas da Seleção para vender

A França estreia na Copa do Mundo nesta sexta contra o Uruguai. A imprensa está confiante de que o Mundial da Fifa terá boa audiência na televisão. Isso porque o último amistoso entre França e Tunísia, realizado dia 30/5, reuniu, no canal TF1, 8,6 milhões de telespectadores. O jogo, aliás, terminou em 1 a 1, o que foi considerado fraco, principalmente porque a Tunísia não foi classificada para o Mundial.

Em Paris, pelo menos, pouco se vê sobre a atmosfera que contagia os fanáticos durante a Copa do Mundo. O que vi, por exemplo, foi a venda de camisas oficiais na famosa avenida Champs-Elysées, onde há lojas de marcas esportivas como Nike e Adidas. Em Val d’Europe, que fica a meia-hora do centro parisiense, também há as camisetas oficiais, inclusive da Argentina e do Brasil. Pelas ruas da capital é fácil reconhecer um brasileiro: há muitos desfilando suas camisas pelas ruas e mostrando aos franceses: “olhe, eu sou um pentacampeão do mundo!”.

Nesta semana, porém, vi um garotinho de uns 10 anos de idade exibindo uma camisa verde-e-amarela com a palavra Brasil escrita na frente. Fui perguntar se ele era brasileiro, embora estivesse óbvio que não, e ele logo me respondeu, com um sotaque britânico: “Não, sou londrino”. E o que fazia um verdadeiro inglês vestindo uma camisa do Brasil perto do início da Copa do Mundo? “O Brasil é um time muito bom!”, ele respondeu, seguindo o coro dos outros amigos, igualmente britânicos, mas sem exibir a canarinho.

Por enquanto, os bares e cafés brasileiros, como o Corcovado, que está instalado em dois endereços, um no Marais e outro em Montparnasse, deverão exibir os jogos do Brasil. Os da França poderão ser acompanhados no Trocadéro, onde está a Torre Eiffel, a partir de um grande telão. Algumas cenas, promete a organização, poderão ser também acompanhadas em três dimensões.

A mídia tem falado bastante sobre os jogos. Todos os dias, os canais de televisão exibem sobre as expectativas e, nesta semana, a TF1 apresentou um documentário sobre os jogos dos “Bleus” (azuis), como eles são chamados. Houve também destaque para a seleção brasileira, uma retrospectiva com as vitórias, incluindo o pênalti que o jogador italiano Roberto Baggio perdeu na Copa de 1994.

Na imprensa escrita, as edições dos gratuitos “20 Minutes”, “Direct Matin”, “Direct Soir” e “Metro” falam sobre a seleção. Para eles, o grupo da morte é o G, justamente no qual está o Brasill, ao lado de Portugal, Costa do Marfim e Coreia. No entanto, além do Brasil, para a imprensa francesa os favoritos são Espanha, a “fúria vermelha” e a Alemanha. Porém, como a Espanha está no grupo H, deve encontrar os “sobreviventes” do grupo G e, provavelmente, o Brasil. Como estão dizendo por aqui, cada coisa em seu tempo.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Brasil na imprensa francesa

A Copa do Mundo da África do Sul começa amanhã e hoje o diário "20 Minutes" soltou uma edição especial sobre o evento, além de sua edição normal. Em ambos exemplares, o jornal gratuito fala da Seleção Brasileira.

Na edição regular, que está ao lado direito da foto, a matéria ocupa meia página do tablóide e faz um comparativo sobre Brasil e Argentina. Ai ai ai.

Na verdade, a reportagem escrita por Antoine Maes, enviado especial a África do Sul, apresenta os dois times como "os dois melhores inimigos da América do Sul têm perfis muito diferentes". Isso porque ele acredita que embora os dois sejam os favoritos por terem os melhores jogadores do mundo, a rivalidade de ambos é legendária. Isso, aliás, para nós, nem precisaria ser dito. O porém fica por conta dos perfis táticos entre os dois times, que são diferentes.

Com Diego Maradona, a Argentina é mais ofensiva, com Tevez, Messi, Melito, Higuain. Do outro lado, no Brasil, quando Dunga não convocou nem Adriano nem Ronaldinho, "passou a chave de seu ataque a Luis Fabiano e Robinho, mostrando ser uma equipe com perfil mais defensivo".

Na edição especial sobre a Coupe du Monde, o artigo do "20 Minutes" do mesmo Antoine Maes fala sobre os jogadores que também jogam pela Inter de Milão: Julio Cesar, Maicon e Lucio. E finaliza com uma frase de Dunga, que jogou na defesa em 1994 e, talvez por isso, a característica na equipe seja mais defensiva: "Se estou lá, é para ganhar. O resto não me importa". E o repórter conclui: "Pois, mesmo no Brasil, ganhar ainda é a melhor forma de silenciar as críticas". Concordo.

domingo, 6 de junho de 2010

Museus

Domingo é dia de passear em Paris. No primeiro domingo do mês, porém, é dia de ir ao museu. Por quê? Porque eles são gratuitos (e quem não gosta de econimizar, por exemplo, uns 11 euros?). Mas, claro, há outro preço a se pagar: entrentar as enormes filas que se formam na entrada e também em frente às obras.

Decidida a rever algumas coisas no Musée du Louvre (estive lá em 2002), sabia que não seria fácil, mas fui consciente. Entretanto, uma coisa eu fiz certa: tomei o metrô e desci na estação Palais Royal Musée du Louvre. Isso significou minutos a menos na fila de entrada, uma vez que, olhando do alto, pude acompanhar o enorme caracol que se formava na entrada principal, ou seja, pela pirâmide.

A multidão, é claro, só procura uma obra: a Mona Lisa. E o museu faz questão de ir mostrando o caminho com as placas e também com o mapa distribuído na entrada.

Olha a multidão na minha frente!

Em frente à Mona Lisa, a Gioconda de Leonardo da Vinci, uma multidão se aglomerava, se acotovelava. Chegar pertinho, nem pensar.

Como se sabe, a Mona Lisa está em uma parede protegida por um vidro a prova de balas. No entanto, na minha memória, o vidro era um pouco maior apenas que o quadro. Hoje, vi que ele é enorme, tem muito mais de um metro de vidro de cada lado. Será que minha memória está me traindo ou a proteção foi mudada nesses oito anos de intervalo? Bom, em casa eu tenho uma foto que tirei ainda com filme e depois vou tirar a dúvida.

Saí do Louvre (impossível ver tudo em apenas um dia, imagina querer ver tudo com a multidão te levando...), e tentei ir ao L'Orangerie, mas estava cheio. Optei pelo Musée D'Orsay que também tinha uma fila imensa, mas como trata-se de um prédio grande, perdi menos de uma hora em pé.

Lá dentro não pode fotografar. E por conta de uma reforma no andar onde ficam as obras de Claude Monet, por exemplo, a administração do museu decidiu agrupar os impressionistas e os pós-impressionistas no térreo mesmo. Estão lá, um ao lado do outro: Degas, Monet, Manet, Renoir, Van Gogh, Gaugin, Toulousse-Lautrec, Matisse...

Esta foi a terceira vez que estive neste museu, nas três vezes que vim a Paris. A cada vez foi especial por algum motivo, e eu simplesmente não me canso de admirar as obras, mas também a arquitetura do museu que um dia foi uma estação de trem.

sábado, 5 de junho de 2010

Futebol

A França está confiante de que a Copa do Mundo de 2010 na África do Sul terá boa audiência na televisão. Isso porque o amistoso entre França e Tunísia no domingo, 30 de maio, reuniu, no canal TF1, 8,6 milhões de telespectadores, o que equivale a 35,1% de share. O jogo, aliás, terminou em 1 a 1, o que foi considerado fraco, principalmente porque a Tunísia não foi classificada para o Mundial da Fifa.

Na edição de 1º de junho, o gratuito “20 Minutes”, que é distribuído principalmente nas estações de metrô de Paris, afirma que, a 12 dias do mundial, o ex-capitão da seleção francesa, Thierry Henry, titular durante 12 anos (uma vez que ele começou a jogar em 1998, quando a França foi a campeã do mundo), deverá começar no banco, segundo o treinador Raymond Domenech, que vai adotar o sistema 4-3-3.

A França, que divide o Grupo A com Uruguai, África do Sul e México, começa a jogar no dia 11 de junho contra o Uruguai.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Calor e noite em Paris

Calor em Paris e muitos carros na Place de la Concorde

Eu sei que tinha prometido contar mais histórias de Paris, mas não tenho encontrado muito tempo para isso. No verão europeu, o sol na capital francesa nasce antes das 6h e se põe quase 22h. Então, como neste horário geralmente já estou eu casa, ainda não tinha vista desta vez a tal "Cidade Luz".

Mas foi ótimo ter esperado, porque depois de uma semana chuvosa, o sol resolveu aparecer e há três dias ele brilha imponente. Além do sol, claro, o calor. Os franceses, aliás, estão preocupados com a tal Canicule, uma onda de calor que conhecemos bem no Brasil: um calor sem vento, aquele bafo que... enfim, não preciso explicar.

Bom, mas como eu ia dizendo, ontem passeei pela cidade com o sol a pino e vi que os turistas, principalmente, saíram da toca: as ruas de Paris estão lotadas e há sotaques e idiomas do mundo inteiro: os asiáticos, claro, mas europeus, americanos, turistas franceses que vêm para a capital aproveitar o verão. E com um monte de turistas, há filas na banca de sorvete e, como está aqui, na Ladurée, a loja de doces que faz os famosos macarons. Ainda não os experimentei, mas uma caixinha com seis custa 13 euros. A unidade pequena sai por R$ 1,50 (multiplique por R$ 2,50 mais ou menos para saber quanto pagar em reais).

Ontem, então, foi o dia de ver Paris a noite e por que ela é conhecida como Cidade Luz. Nâo tenho uma máquina superpotente, tampouco sou fotógrafa. No entanto, vou tentar mostrar um pouco do que vi ontem após às 22h.



quinta-feira, 27 de maio de 2010

Enfim, Paris

Esta é a minha terceira vez em Paris, mas todas parecem ser a primeira, pois tem tanta coisa para fazer nesta cidade, então há sempre descobertas. Cheguei nesta manhã na capital francesa, mas ainda estou atrapalhada com o fuso horário, uma vez que aqui são cinco horas a frente do Brasil. Enquanto o sono não vem, vou contar um pouco do que fiz para chegar aqui!

A ideia de vir estudar em Paris martela a minha cabeça há um ano. Ah não, corta.

Foi a partir da última vez que estive em Paris, em 2007, que decidi que queria estudar francês. A ideia já me instigou na primeira vez, em 2002, uma vez que foi um pouco complicado me virar aqui só com o inglês. Afinal, a lenda é verdadeira: a maioria dos franceses tem aversão ao inglês, mas, posso garantir, que com bonjour, s'il vous plâit etc., nunca passei fome ou deixei de conhecer os lugares que eu queria.

Até procurei uma escola na ocasião quando voltei, mas os cursos para débutant (iniciante) eram apenas durante a tarde, e como eu já trabalhava, ficou inviável. No entanto, como voltei a Paris no final de 2007, comecei a pensar em estudar e tive a brilhante ideia de fazer as aulas particulares. Foi quando, em julho de 2008, conheci Cleide, minha professora, que me fez entender e amar o francês cada vez mais.

E foi também incentivada por ela, que a ideia de estudar francês em Paris veio me perseguindo há mais de ano. Isso porque as filhas dela já estudaram na Alliance Française e seria uma boa para eu aprender o idioma e aproveitar uma viagem na qual eu pudesse aplicar a língua no dia-a-dia.

Para isso, porém, era preciso tempo e dinheiro. Tentei vir a Paris no início de 2009, mas com o boom da crise financeira internacional meu chefe no jornal me aconselhou esperar e adiar o projeto para o segundo semestre. A gripe suína e o meu envolvimento em um projeto no trabalho me fizaram desistir da viagem. Desistir não, nunca, mas adiá-la.

Foi, portanto, no Ano Novo, quando eu tirei uns dias de férias na praia e fiz uma retrospectiva do que eu tinha feito por mim, mas também o que eu queria para a minha vida no próximo ano (as tais promessas de Ano Novo, manja?), me fez reascender a chama que dizia: do primeiro semestre não passa.

A partir de então, comecei a coletar informações, ver preços, juntar dinheiro, estudar ainda mais o idioma para eu dar continuidade ao projeto para que ele se tornasse realidade.

Depois de ver o curso na Alliance Française que eu queria fazer (três vezes por semana, três horas por dia para não sufocar) durante três semanas, procurar apartamentos em um lugar bacana da cidade, foi a vez de conversar com o chefe e mostrar a importância da viagem, a duração e, claro, que eu tinha dias de férias vencidas.

Demorou um pouco para encontrar o apartamento perfeito: ou era muito longe, ou muito caro, ou muito pequeno. O jeito foi ser maleável e, obviamente, uma vez que estamos falando da cidade mais cara do mundo, abrir a carteira.

O estúdio que aluguei via internet (com recomendação do site pela Cleide, bien sûr) é pequeno, tem 25 metros quadrados, mais ou menos, mas maior que o que eu tinha visto de 13... Mais caro que o de 36 no 12eme. Mas estou no Rive Gauche: depois que andei duas ruas, já avistei a Tour Eiffel.

Como comparou um amigo, estou nos Jardins, o bairro posh de São Paulo onde, aliás, as coisas no mercado (sim, aqueles mercadinhos de bairro que costumávamos ter antes da invasão da rede Pão de Açúcar etc.) são mais caras. Mas, como dizem, para tudo na vida há um preço.

Enfim, por aqui vou ficar 31 dias (e lá se vai o primeiro). Vamos ver se consigo contar um pouco do dia-a-dia em Paris.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Giverny - França


Os jardins de Monet

Próxima a Paris, Fundação Claude Monet está localizada em Giverny e é ótima opção de passeio

Foi o quadro “Impressão, Nascer do Sol” (“L’Impression, soleil levant”), de 1872, pintado por Claude Monet, que batizou o movimento impressionista, responsável por reunir artistas como Edgar Degas, Auguste Renoir, entre outros. O nome foi dado pejorativamente pelo crítico Louis Leroy, quando o viu no Museu Marmottan, em Paris, e escreveu: “Pensava eu, justamente, se estou impressionado é porque há lá uma impressão. E que liberdade, que suavidade de pincel! Um papel de parede é mais elaborado que esta cena marinha”.

Embora tenha nascido em Paris, na França, em 14 de novembro de 1840, foi em Giverny (na região da Normandia), cidade à beira do rio Sena, a uma hora da capital, que ele passou muitos anos de sua vida, onde pintou seus quadros mais famosos (a série “Ninfeias”, por exemplo) e morou até morrer, em 5 de dezembro de 1926.


Um mês após se mudar, Monet disse que estava em êxtase. “Giverny é um país esplêndido para mim.” E foi pintando as paisagens em diferentes horas do dia que conseguiu exprimir a luz que determinado horário incidia no lugar e nas quatro estações do ano. As diferentes colorações e o traço impreciso se deram também por conta de uma catarata que atingiu seus olhos.


Atualmente, na propriedade, que fica sugestivamente na rue Claude Monet, funciona a fundação que leva o nome do artista, inaugurada em 1980. Visitantes podem conhecer a casa e o belíssimo jardim repleto de flores e plantas, como suas vitórias-régias, azaleias, chorões e, claro, as ninfeias. Do lado de dentro da casa cor-de-rosa, os aposentos do pintor e as réplicas de seus quadros, já que os originais encontram-se em diferentes museus do mundo.



Em passeios de contemplação, o visitante passa pelo Jardim de Água, onde está a Ponte Japonesa – tema de outros tantos quadros – construída em 1895. Entre os locais nos quais ele se inspirou, podem ser destacadas as obras: “La Maison de l'Artiste vue du Jardin aux Roses”, “La Barque”, “Les Roses”, “Nymphéas. Effet du soir”, “Le Pont Japonais”, “L'Allée des Rosiers, Nymphéas”.


O local é assimétrico, exótico e tem um quê da filosofia japonesa. Em um passeio diferente daqueles que se costuma fazer em Paris, é possível passar uma tarde por ali absorvendo a cultura e aprendendo sobre arte, sentir o cheiro das flores, ouvir a água corrente. Ótimo é sentar-se em um dos bancos, esquecer da hora enquanto admira a paisagem. Enquanto isso, vale imaginar como vivia um dos mais importantes artistas e que marcaram as artes plásticas para sempre, fazendo seguidores por onde quer que suas pinturas passem.