terça-feira, 15 de junho de 2010

Brasil na Copa

Na estreia do Brasil, ao invés de ir novamente para o Trocadéro, fui para o parque La Villette, que fica ao norte de Paris, onde há uma casa de show, o Cabaret Sauvage. Lá, a comunidade brasileira que vive na França costuma se reunir, bem como outras comunidades que curtem a cultura brasileira, haja vista que uma escola de samba praticamente completa de estrangeiros animou antes e após o jogo.

No entanto, pouco após o início do jogo, a candidata à presidência do Brasil, Dilma Rousseff, compareceu ao local vestindo a camisa verde-amarela ao lado de simpatizantes do PT. Depois de conseguir convencer a organização, consegui tirar umas fotos dela, mas o que mais me impressionou, sinceramente, foi a maneira como outros colegas jornalistas trataram a assessoria da candidata. Independentemente de qualquer partido (e se interessa a alguém nunca votei no PT), acho que respeito é tudo. E isso faltou aos colegas presentes. Só lhes sobraram arrogância, arrogância e arrogância.

Pelo que li agora pouco, parece que Dilma está na França para se encontrar com o presidente Nicolas Sarkozy nesta quarta-feira, 16, a fim de transmitir a ele o interesse de "dar continuidade à aliança estratégica" entre os dois países.

Também faz parte da agenda da petista entrevista ao jornal francês "Le Monde", reunião com a primeira-secretária do opositor Partido Socialista francês (PS), Martine Aubry, que, como ela, tem intenção de candidatura nas próximas eleições presidenciais francesas de 2012.

Apesar do aparente mal-humor, Dilma sorriu após o primeiro gol, mas nem fiz questão de ir atrás das fotos. Fiquei com esta sua marca registrada. Enjoy!

França x Uruguai



O jogo foi fraco, mas o evento foi sensacional. O telão montado pela prefeitura de Paris no Trocadéro, ao pé da Torre Eiffel, atraiu centenas de pessoas de todas as nacionalidades para acompanhar a partida.

Com o céu claro, sol e calor, as pessoas não paravam de chegar. Fui embora após o primeiro tempo para não pegar a multidão toda voltando para casa no metrô, mas também não perdi nada, pois a partida terminou em zero a zero.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Copa do Mundo: a grande expectativa

Loja de esportes em Val d"Europe tem camisas da Seleção para vender

A França estreia na Copa do Mundo nesta sexta contra o Uruguai. A imprensa está confiante de que o Mundial da Fifa terá boa audiência na televisão. Isso porque o último amistoso entre França e Tunísia, realizado dia 30/5, reuniu, no canal TF1, 8,6 milhões de telespectadores. O jogo, aliás, terminou em 1 a 1, o que foi considerado fraco, principalmente porque a Tunísia não foi classificada para o Mundial.

Em Paris, pelo menos, pouco se vê sobre a atmosfera que contagia os fanáticos durante a Copa do Mundo. O que vi, por exemplo, foi a venda de camisas oficiais na famosa avenida Champs-Elysées, onde há lojas de marcas esportivas como Nike e Adidas. Em Val d’Europe, que fica a meia-hora do centro parisiense, também há as camisetas oficiais, inclusive da Argentina e do Brasil. Pelas ruas da capital é fácil reconhecer um brasileiro: há muitos desfilando suas camisas pelas ruas e mostrando aos franceses: “olhe, eu sou um pentacampeão do mundo!”.

Nesta semana, porém, vi um garotinho de uns 10 anos de idade exibindo uma camisa verde-e-amarela com a palavra Brasil escrita na frente. Fui perguntar se ele era brasileiro, embora estivesse óbvio que não, e ele logo me respondeu, com um sotaque britânico: “Não, sou londrino”. E o que fazia um verdadeiro inglês vestindo uma camisa do Brasil perto do início da Copa do Mundo? “O Brasil é um time muito bom!”, ele respondeu, seguindo o coro dos outros amigos, igualmente britânicos, mas sem exibir a canarinho.

Por enquanto, os bares e cafés brasileiros, como o Corcovado, que está instalado em dois endereços, um no Marais e outro em Montparnasse, deverão exibir os jogos do Brasil. Os da França poderão ser acompanhados no Trocadéro, onde está a Torre Eiffel, a partir de um grande telão. Algumas cenas, promete a organização, poderão ser também acompanhadas em três dimensões.

A mídia tem falado bastante sobre os jogos. Todos os dias, os canais de televisão exibem sobre as expectativas e, nesta semana, a TF1 apresentou um documentário sobre os jogos dos “Bleus” (azuis), como eles são chamados. Houve também destaque para a seleção brasileira, uma retrospectiva com as vitórias, incluindo o pênalti que o jogador italiano Roberto Baggio perdeu na Copa de 1994.

Na imprensa escrita, as edições dos gratuitos “20 Minutes”, “Direct Matin”, “Direct Soir” e “Metro” falam sobre a seleção. Para eles, o grupo da morte é o G, justamente no qual está o Brasill, ao lado de Portugal, Costa do Marfim e Coreia. No entanto, além do Brasil, para a imprensa francesa os favoritos são Espanha, a “fúria vermelha” e a Alemanha. Porém, como a Espanha está no grupo H, deve encontrar os “sobreviventes” do grupo G e, provavelmente, o Brasil. Como estão dizendo por aqui, cada coisa em seu tempo.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Brasil na imprensa francesa

A Copa do Mundo da África do Sul começa amanhã e hoje o diário "20 Minutes" soltou uma edição especial sobre o evento, além de sua edição normal. Em ambos exemplares, o jornal gratuito fala da Seleção Brasileira.

Na edição regular, que está ao lado direito da foto, a matéria ocupa meia página do tablóide e faz um comparativo sobre Brasil e Argentina. Ai ai ai.

Na verdade, a reportagem escrita por Antoine Maes, enviado especial a África do Sul, apresenta os dois times como "os dois melhores inimigos da América do Sul têm perfis muito diferentes". Isso porque ele acredita que embora os dois sejam os favoritos por terem os melhores jogadores do mundo, a rivalidade de ambos é legendária. Isso, aliás, para nós, nem precisaria ser dito. O porém fica por conta dos perfis táticos entre os dois times, que são diferentes.

Com Diego Maradona, a Argentina é mais ofensiva, com Tevez, Messi, Melito, Higuain. Do outro lado, no Brasil, quando Dunga não convocou nem Adriano nem Ronaldinho, "passou a chave de seu ataque a Luis Fabiano e Robinho, mostrando ser uma equipe com perfil mais defensivo".

Na edição especial sobre a Coupe du Monde, o artigo do "20 Minutes" do mesmo Antoine Maes fala sobre os jogadores que também jogam pela Inter de Milão: Julio Cesar, Maicon e Lucio. E finaliza com uma frase de Dunga, que jogou na defesa em 1994 e, talvez por isso, a característica na equipe seja mais defensiva: "Se estou lá, é para ganhar. O resto não me importa". E o repórter conclui: "Pois, mesmo no Brasil, ganhar ainda é a melhor forma de silenciar as críticas". Concordo.