domingo, 27 de setembro de 2009

Punta del Este - Uruguai


Los hermanos, os uruguaios

Punta del Este, no Uruguai, é um dos destinos mais procurados pelos brasileiros para descansar nas férias

Um dos destinos internacionais mais procurados pelos brasileiros, Punta del Este, no Uruguai, tem sido requisitado por sua proximidade (são duas horas e meia de voo a partir de São Paulo), pela facilidade do idioma (uma vez que o castelhano é parecido com o português, mas, com a quantidade de turistas que desembarcam no país semanalmente, os moradores já se acostumaram a entender e se fazer entender pelos brasileiros), por ter praia, diversão para a família toda, preços acessíveis e, claro, o óbvio: os cassinos liberados. Outro ponto positivo é a valorização da moeda, uma vez que o nosso real vale mais que o peso uruguaio. Ah, e tem mais: ao ir para lá não é necessário trocar o dinheiro. Isso porque em Punta, por exemplo, são aceitos os pesos, dólares e até o real: seja em cash ou cartão de crédito.

O Conrad Resort Spa e Cassino, por exemplo, comercializa pacotes com passagem aérea, traslados e hospedagem com café da manhã no hotel cinco estrelas. Como é fretado, o voo sai mais barato – mas em compensação é preciso se contentar com a empresa Gol, que serve, na hora do almoço, um lanche frio, e o percurso não conta pontos no cartão fidelidade.

Quando o hóspede chega ao Conrad, porém, toda a chateação do atraso do voo é compensada. Isso porque os quartos têm sacadas e vista voltada para a praia. Aliás, a localização é privilegiada, uma vez que, do quarto, é possível avistar o momento em que o rio da Prata se encontra com o Oceano Atlântico. Punta del Este está localizada em uma península no extremo sul do país, a 134 quilômetros da capital Montevidéu. De um lado, está a praia Mansa, banhada pelo rio; do outro, a praia Brava, banhada pelo mar.

Se na alta temporada, que coincide com o verão brasileiro, a população passa de 10 mil habitantes para 300 mil turistas, na baixa temporada quase não há pessoas nas ruas, e as lojas, os restaurantes e as baladas sazonais fecham as suas portas para esperar o próximo verão e, então, recomeçar. Mas de março a setembro prevalecem as buscas pelos turistas (sendo 50% formado por brasileiros e 50% por argentinos) principalmente pelos hotéis de luxo que oferecem todo conforto e opções de entretenimento para a família inteira, incluindo brincadeiras para as crianças, academia de ginástica e SPA, e os famosos cassinos, todos mantidos pelo governo, com exceção do Conrad, que é particular. E como o friozinho começa, hora de abusar do chocolate quente, dos casacos, cachecóis e botas que fazem a diferença e dão ar europeu.

Embora não seja muito perto a ponto de se poder ir a pé (se bem que caminhar em Punta é uma delícia, seja a passeio, seja como atividade física), no porto há os iates à disposição dos milionários, restaurantes e, para a alegria dos turistas, tem pescador que alimenta leão-marinho que vive por aquelas águas. E a cidade é bastante segura, não há criminalidade e até é possível usar joias para sair.

Bem perto do porto está a igreja da Candelária, a padroeira do balneário de Punta del Este e, mais adiante, agora do lado da praia Brava, a escultura Los Dedos é um dos marcos do local, frequentado principalmente por surfistas por conta das altas ondas. E por ali, na avenida central, estão as lojas de grifes, os bancos (inclusive o Itaú, onde é possível sacar moeda local diretamente da conta corrente no Brasil), além da sorveteria argentina Freddo, que tem cerca de oito variações do sabor dulce de leche. Doce de leite, aliás, é uma das iguarias que não se pode abrir mão no Uruguai. Isso porque é uma delícia e há uma fábrica, a Lapataia, onde é possível conhecer a fabricação, a criação de vacas, degustar crepe do doce e comprar potes, barras... De dar água na boca.

Um pouco mais distante está a Casa Pueblo, criado pelo artista uruguaio Carlos Paez Vilaró como uma enorme escultura na qual poder viver, pintar e receber amigos. Encravada em Punta Ballena, o casarão é restaurante, hotel e, garantem os moradores do local, que é a melhor vista para o pôr-do-sol. Para entrar, porém, é preciso pagar 5 dólares.

Diversão no hotel
Todo final de tarde o Conrad realiza chá da tarde com apresentação, por exemplo, de um grupo de tango, flamenco etc. No cardápio, quitutes doces e salgados para comer, café, capuccino, chocolate quente, sucos, para beber. Por falar em comes e bebes, o restaurante do hotel é um dos destaques, pois, a começar pelo café da manhã, que funciona das 7h às 11h, ou seja, não é preciso acordar cedo sob pena de perder a primeira refeição do dia, há pães doces e salgados, frios, iogurtes, sucos, geléias, biscoitos... Nos bufês servidos no almoço e no jantar há pratos frios e quentes, além de opções na churrasqueira. Destaque, porém, para a mesa de doces preparados principalmente à base de doce de leite, mas há opções de chocolate, morango, sempre recheados, variados e deliciosos. Uma tentação.

No hotel, há toda a infraestrutura com caixas eletrônicos, lavanderia, cabeleireiro, salas de reunião para convenções de empresas, restaurantes 24 horas. No cassino, a sala principal tem 18 roletas, oito mesas de Black Jack, duas de Midi Baccarat, duas de siete y Medio, quatro de Oasis Poker, duas de Let it Ride e uma mesa de Craps, além de ter uma sala vip para jogadores poderosos.

Nas semanas da sorte, quando ocorrem torneios e aulas de Poker, o hóspede ganha 50 dólares para jogar nas máquinas e, se não conhece um cassino, por exemplo, pode aproveitar os workshops para entender um pouco sobre como funcionam os jogos. Neste ano, a Semana da Sorte acontece de 21 a 25 de junho, de 12 a 16 e de 26 a 30 de julho, de 9 a 13 de agosto, de 13 a 17 de setembro, de 18 a 22 de outubro, de 8 a 12 de novembro e de 13 a 17 de dezembro. O programa custa a partir de US$ 699 por pessoa e inclui: passagem aérea, traslados, hospedagem em apartamento duplo com café da manhã, acesso diário ao SPA (sala de musculação, sauna, piscina, sala de relax, jacuzzi e quadra de tênis).

Por falar em SPA, além dos itens oferecidos no pacote há tratamentos corporais e faciais à parte, como: massagens relaxante, redutora de celulite, das pedras quentes, drenagem linfática, shiatsu, reflexologia, limpeza de pele, biolifthing, gommage, tratamento anti-idade. Destaque para a massagem relaxante feita com uma espécie de saco de pano (pina) recheado com sementes, como arroz, canela. Então, com uma pina em cada mão, a terapeuta vai massageando o corpo com óleo aromático. Dos deuses.

Além do entretenimento, o hotel costuma trazer convidados internacionais para apresentações de show musicais, como já foram Gloria Stefan, Julio Iglesias, Rick Martin, Shakira, entre outros.

Para reservas, tel.: (11) 3709-0000, pacotesconrad@conrad.com.uy

Campos do Jordão - São Paulo

(Publicada em 03 de julho de 2009)

Temporada de inverno está aberta!

Campos do Jordão, o principal destino dos paulistas no inverno, tem atrações durante o mês inteiro

Chocolate quente (cremoso ou não), fondue, casaco, cachecol, cerveja artesanal Baden Baden. Inclua na lista o melhor da música clássica, sessões gratuitas de cinema, palestras culturais e hotel com opções de lazer para adultos e crianças. Junte tudo isso ao friozinho típico da Serra da Mantiqueira, que reúne paisagens exuberantes e ar puro e, voilà, tem-se a mistura perfeita e o resumo do que é Campos do Jordão em julho.

A partir de sábado, dia 4, começa a 40a edição do Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão. O evento é inspirado no Ano da França no Brasil e, durante quatro semanas, os músicos farão o diálogo entre as músicas e as culturas brasileira e francesa. A abertura será a partir das 21h, no Auditório Cláudio Santoro, com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), sob a regência de Pablo Pérez, o coro da Osesp, regido por Naomi Munakata, e cantores solistas, interpretando obras de Bizet, Canteloube, Delibes e Giménez.

O homenageado do ano é Villa-Lobos e, dia 10, a Orquestra Sinfônica Brasileira, cujo solista é o violoncelista Antonio Mene-ses, deve tocar canções do músico, assim como de Roussel e outros. Ao todo, o Festival, que segue até o dia 26, terá 45 espetáculos que acontecem no auditório Cláudio Santoro, na Praça do Capivari, Capela do Palácio Boa Vista e nas igrejas Santa Terezinha, São Benedito e Nossa Senhora da Saúde. A programação completa do mês pode ser conferida no site www.festivalcamposdojordao.org.br.

Outros eventos
Até 1o de agosto, o Cine Santander apresentará sessões gratuitas de cinema todos os dias. Entre os filmes que serão exibidos, estão: "Austrália", "Se Eu Fosse Você 2", "Operação Valquíria", "Batman - O Cavaleiro das Trevas", "Rocknrolla - A Grande Roubada", o ainda inédito "O Contador de Histórias".

Em conjunto com a Casa do Saber, haverá também palestras ministradas pelos professores do local. A primeira será "Grandes Divas do Cinema", dia 4, das 11h às 13h, com o jornalista e crítico de cinema Sérgio Rizzo. Os outros temas são "A Família no Século 21", "Os Prazeres da Mesa: História, Alimentação e Cultura" E "O Luxo Através dos Tempos". A programação está em www.santander.com.br/cinesantander.

Onde ficar
Para fugir do burburinho do centro de Campos do Jordão, o Hotel Toriba (Av. Ernesto Diederichsen, 2.962, tels.: (12) 3668-5000, 0800-178-179) é uma boa opção, pois oferece opções de lazer com quadra poliesportiva, piscina aquecida, sauna seca e úmida, hidromassagem, sala de ginástica, oito chalés, sendo quatro novos, com 160 m2, apartamentos com vista para a área verde, restaurante com lareira.

Por falar em restaurante, a gastronomia é um capítulo à parte, já que o cardápio oferece saladas, sopas, massas, carnes, peixes e as tradicionais fondues, que fazem sucesso principalmente para acompanhar o friozinho da Serra.

Na área externa, há o bosque das bromélias, caminho perfeito para quem quer aproveitar o ar puro para fazer caminhadas. E a área de lazer, com opção de cavalgada, aulas de equitação, arvorismo, campo de golfe, patinação no gelo, quadras de tênis cobertas, e a Fazendinha, na qual existem animais como carneiros, cabras, cabritos, perus, gansos, coelhos, patos e pavões.

Para julho, pacote de sete dias, de 26 de julho a 2 de agosto, sai por a partir de R$ 4.024, o casal, com pensão completa.

Santigo e Valle Nevado - Chile

(Publicada em 24 de outubro de 2008)


Vinho, neve e diversão!

Perto de São Paulo, mas com muitas opções de lazer, Santiago, no Chile, é uma ótima opção de viagem

Já do avião, no vôo de pouco mais de três horas que separa São Paulo de Santiago, capital do Chile, já é possível avistar a majestosa Cordilheira dos Andes. E em diversos ângulos da cidade também é possível vê-la, contemplá-la e, se você resolver esticar o passeio, pode subir as suas montanhas e usufruir dela.

Por ser uma faixa estreita e comprida, na América do Sul (4.300 quilômetros de norte a sul e 175 quilômetros de largura máxima), o Chile possui de tudo um pouco, nas quatro estações do ano. Sendo assim, o país oferece neve, praia e deserto.

Santiago, que está a 520 metros de altura, mas, por ser um vale, é plana, permite ao visitante longos passeios a pé. Por conta dos longos congestionamentos que costumam se formar, andar a pé é a melhor opção, mas há alternativas, como os táxis, que custam razoavelmente pouco, e o metrô.

No Centro da cidade, é possível conhecer o Palacio La Moneda, sede da presidência do Chile, onde fica Michelle Bachelet, a primeira presidente mulher do país. Lá também foi cenário do golpe liderado por Pinochet em 1973, que depôs Salvador Allende.

As ruas são históricas e lembram o centro de São Paulo, já que as fachadas estão conservadas. Entre uma ruela e outra, é possível dar uma paradinha para tomar um café no Starbucks, por exemplo, ou até mesmo aproveitar para apreciar um alfajor do argentino Havana Café. Ainda no Centro, está a Catedral de Santiago, que possui estátua de madeira de São Francisco Xavier esculpida no período colonial. A igreja foi construída em no século 16, mas, por conta do terremoto, a estrutura de adobe veio abaixo. A fachada atual foi erguida em 1789. O Museo Histórico Nacional está bem ao lado e as 18 salas estão construídas ao redor do pátio central, ao ar livre. O prédio, de 1808, sediou a primeira reunião do Congresso Nacional.

Outro passeio interessante é o Cerro San Cristóbal, com 300 metros de altura. Para chegar até o alto, de onde é possível avistar boa parte da cidade, é preciso ir de teleférico. Ao todo, são três paradas onde o visitante pode descer e continuar a “escalada” entre a vegetação. Essa parte, aliás, já que o bondinho passa pelo meio da mata nativa, é um pouco incômoda.

No último estágio está mais um desafio: escadarias levam o visitante à imensa estátua da Virgem Maria. A escadaria, aliás, lembra a basílica Sacré-Coeur, em Montmartre, em Paris, mas na capital francesa o visitante pode escolher entre ir de funicular ou pagar os pecados já no trajeto. A basílica e gruta de Lourdes também valem a visita. Ainda no Cerro há a Casa de la Cultura, com espetáculos musicais gratuitos, o Observatório Astronômico da Universidade Católica e o Zoológico municipal com centenas de espécies animais. Do alto do Cerro Santa Lucía é possível avistar a Cordilheira dos Andes e também as mansões construídas por ali.

Providencia é o bairro boêmio da cidade, assim como o agitado Bellavista. Aos finais de semana, à noite, por exemplo, os chilenos saem de casa e sentam-se em mesas de bares que ficam do lado de fora. Assim, eles aproveitam para apreciar um bom vinho sob a luz das estrelas. Boa bebida também é o pisco sour, um aguardente de uva.

Aconchegante, o Cinema Paradiso, em Providencia, é um restaurante italiano onde se pode apreciar uma deliciosa massa, bem servida, e beber um vinho saboroso. Rústica, a decoração contempla tijolos à vista, poltronas de veludo, garrafas de vinho espalhadas, luz de velas e um bar de onde saem drinques preparados pelos barmen da casa. O som (rock ou algo moderno) atrai público entre 30 e 40 anos.

No bairro, o Parque de las esculturas possui 30 obras de artistas chilenos, onde os chilenos costumam passear na hora do almoço. No Bellavista, a Rua Alonso de Córdova possui lojas fantásticas para quem curte moda, como Burberry London, Emporio Armani, Longchamp, L’Occitane, Ermenegildo Zegna...

Se em Buenos Aires, na Argentina, comer bem significa ir a uma boa churrascaria, Santiago oferece o Mercado Central, centro de distribuição dos frutos do mar chilenos. O local possui bastante oferta de peixes e frutos do mar por sua qualidade e variedade de ofertas, já que o mar está próximo e a corrente de água gelada que banha o litoral chileno.

Em Santiago, os museus também estão espalhados por vários locais. Mais que por seu conteúdo, o de Bellas Artes vale por sua arquitetura, e por seu prédio ser histórico, já que foi inaugurado em 1910.

O shopping Parque Arauco, onde é vendido o passe para Valle Nevado (leia mais abaixo) já é um passeio. Além de ser o maior shopping do país, há um grande centro de entretenimento, como cinema, teatro, boliche e restaurantes ao ar livre. Souvenires ideais são as peças de lápis-lazúli, pedra que só existe no Chile e no Afeganistão.

Embora os brasileiros sejam bem-recebidos em Santiago, e eles estejam aos montes na cidade, principalmente porque o dólar estava baixo, pela facilidade do idioma e pela proximidade da cidade, ainda é preciso tomar alguns cuidados com a segurança. A policia local já percebeu e espalha propaganda avisando para os moradores e visitantes ficarem atentos aos seus aparelhos celulares. Mas uma dica é importantíssima, embora pareça tola: Corrente de ouro é melhor evitar mostrar. E bom passeio.


Passeios
Por ser um grande produtor de vinho por conta do clima ideal para o plantio da uva, muitas vinícolas, como a Concha y Toro, mantêm programas de visitas com direito a degustação e acompanhamento de guias especializados.

Conhecer o litoral do lado do Oceano Pacífico é possível indo para Viña del Mar e Valparaíso. Valle Nevado e Portillo são estações de esqui e snowboard de primeira linha. Para se chegar ao Valle Nevado, há excursões pré-marcadas pelas agências de turismo, que podem ser conhecidas na recepção do hotel, geralmente. No entanto, uma boa dica é optar pelo transfer realizado pela agência Turistik Santiago, localizada próxima do shopping Parque Arauco. A passagem é mais barata (cerca de US$ 28 dólares contra US$ 65, da agência) e o aluguel dos equipamentos também sai mais em conta.

Um dos pontos baixos da viagem ao Valle Nevado é o excesso de curva, no qual muitos costumam enjoar. O trajeto lembra a serra de Taubaté, no litoral norte de São Paulo. Para subir, o motorista demora uma hora e dez e ele deve realizar 60 curvas bem fechadas. Nesta época do ano, porém, não há neve no caminho, mas a montanha fica toda coberta de gelo.

Quem não vai esquiar, não tem muito que fazer no local, principalmente porque os passeios se resumem aos hotéis locais, onde existem poucas lojas e restaurantes extremamente caros. No entanto, o fato de encontrar a neve já vale a visita e o esforço de se passar meio dia por ali, já que as descidas são feitas apenas após às 15h.

História
Santiago de la Nueva Extremadura foi fundada em 1541 pelo espanhol Pedro de Valdivia e em seguida foi saqueada e queimada pelos índios. A falta de ouro no Chile fez com que o país ficasse para segundo plano durante três séculos, até que os líderes declarassem a sua separação da Espanha em 18 de setembro de 1810, data celebrada todos os anos com fervor, o Dia da Independência.

Melhor época
Santiago é ensolarada no verão, de dezembro a março, e a temperatura varia de 21 ºC a 30 ºC. No inverno, as estações de esqui ficam cheias, mas a melhor época para esquiar é de junho a setembro. De maio a agosto, costuma chover e a temperatura dificilmente passa dos 10 ºC. Em setembro, as manhãs e as noites costumam ser frias, sendo necessário o uso de casacos, mas durante a tarde o sol esquenta, inclusive em Valle Nevado.

sábado, 26 de setembro de 2009

Oslo - Noruega

Publicado na revista Metropolis em julho 2008

Oslo: história nas ruas e nos museus

Capital norueguesa é destino ideal para quem gosta de história viva, além de ter vida noturna agitada, fiordes e luxo

Quantas pessoas entre as que você conhece já foram para a Noruega? Pois é. Um dos países da Escandinávia, ao lado da Suécia, Dinamarca e Finlândia (em algumas classificações), a Noruega não é um dos destinos europeus mais disputados para se passar as férias, principalmente para quem não tem disposição de se enfiar embaixo de grossos casacões para combater o frio. Frio, aliás, que existe durante a maior parte do ano, já que os termômetros registram temperaturas abaixo de zero.

Bom, mas eu fui para a Noruega e vou contar como foi esta experiência para você, caro leitor.

Pela estrada afora...
Antes de me aventurar pelo país, tratei de buscar informações sobre o idioma (o inteligível norueguês pode ser facilmente substituído pelo inglês em qualquer lugar da cidade) e também sobre o clima. Em maio, em plena primavera, Oslo, a capital do país, tinha a temperatura por volta de 15 graus. Em São Paulo, poderia se pensar que estava frio, mas debaixo do sol e com o clima seco era possível usar saias e sandálias rasteiras, tal como usavam as norueguesas que passeavam nos parques e nas praças da cidade.

Já que cachecol e botas forradas não foram necessários, vamos aproveitar o que Oslo tem a oferecer! A primeira coisa que se nota é a sua organização. Quando cheguei ao aeroporto, tomei um trem para o centro e logo me avisaram: o trajeto demora 19 minutos. Preciso, assim!

Esqueça a idéia fixa de ir para lá e comer bacalhau. O peixe de águas frias é bem feito por nós, que incrementamos o prato e deixamos o almoço de domingo mais saboroso. Os noruegueses sabem pescar o peixe e exportá-lo. Para consumo, eles preferem o salmão (que, de fato, é saborosíssimo) e a carne de alce (essa, desculpe, não tive coragem de experimentar).

Além da pesca, a economia do país gira em torno da exportação de madeira e do comércio costeiro. Não raro, é comum percebermos que os containeres que chegam ao porto de Santos são provenientes daquele país. São navegantes natos de primeira categoria. Outra fonte de renda é o petróleo, cuja exportação só perde para os gigantes Arábia Saudita e a Rússia.

Outro ponto histórico que conhecemos da Noruega é o fato de os povos vikings terem saído de lá e ajudaram a colocar o país no mapa por volta do século 11. A Era Viking foi um período importante para a formação da cultura norueguesa e para a mitologia nórdica como um todo.

Oslo é a maior cidade do país e a capital desde 1299. É lá, aliás, onde é entregue o Prêmio Nobel da Paz e, de acordo com o The Economist, é a segunda cidade mais cara do mundo, depois de Tóquio. Como permanece fora da União Européia, a moeda do país é o NOK, ou coroa norueguesa (em maio, a cotação era 3 NOKs para 1 Real).

Já que no hemisfério norte os dias são mais longos no verão (e mais curtos no inverno), só escurece a partir das 11 da noite (e amanhece a partir das quatro). Então, é comum as pessoas saírem para curtirem a noite na cidade, encontrarem os amigos nos pubs, nos cafés, nas praças. Enquanto eu jantava, reparei que algumas mães levavam seus bebês para passearem de carrinho por volta de 10 da noite. E ainda havia sol brilhando no céu!

Por ser plana e pacata, é fácil de se locomover em Oslo, principalmente a pé e com total segurança. No miolo da cidade onde está localizado o Parlamento (que abriga os 169 representantes que são eleitos democraticamente no país todo), é possível conferir a arquitetura européia, os prédios antigos. Na rua de trás, as lojas de grifes são imponentes e, por uma fração de segundo, há de se imaginar que aquela é a Champs-Élysées parisiense...

Há também por ali uma praça em frente ao Grand Hotel (um dos mais tradicionais) onde as pessoas costumam deitar para tomar sol tal como estivessem na praia, e ainda desfrutar dos bares e restaurantes que ficam perto. Por falar em Grand Hotel, o prédio tem estilo Luis 16 e foi inaugurado em 1874. Por dentro, porém, é um luxo só!

Ainda na rua principal há opções com vida noturna agitada. Uma dica é o Hard Rock Cafe. Na unidade de Oslo, inaugurada em dezembro de 2005, é possível conferir comida americana cercado de uma atmosfera rock 'n' roll. Entre os itens memoráveis, há peças de Madonna e No Doubt, além de Elvis Presley, Jimi Hendrix, Led Zeppelin e Rolling Stones.

Na noite em que estive no local, havia uma banda de rock tocando ao vivo do lado de fora que chamou atenção de muitas pessoas. Do lado de dentro, música do mais puro rock and roll para ninguém botar defeito. O restaurante também presta homenagem à banda AHA e a outros noruegueses de destaque. Há guitarras, bateria, roupas dos artistas.

Na Oslo City Hall (Oslo rådhus), localizada em frente ao porto, está o corpo administrativo da cidade e onde fica o Conselho Municipal. Inaugurado em 1950 em comemoração ao 950º aniversário da cidade, o ambiente é decorado pelos primeiros artistas noruegueses do período 1900-1950 com motivos da história, da cultura e da vida ativa da Noruega.

O porto de Oslo, aliás, tem muitas atrações. Localizado no fiorde de Oslo, a área do porto é um dos destinos populares tanto dos turistas quanto dos moradores. É comum ver senhoras sentadas nos bancos próximos ao mar e às tulipas tricotando, conversando e há jovens deitadas, deixando o sol esquentar a pele.

Próximo ao porto, está o Nobel Peace Center que existe desde 2005. As exibições prestam homenagem aos Prêmios Nobel e ao inventor sueco Alfred Nobel. Como ele mesmo desejava, o Nobel Peach Prize é concedido todos os anos em Oslo “para a pessoa que tenha feito o maior ou melhor trabalho para a fraternidade entre as nações, para a abolição ou a redução de exércitos e para a terra arrendada e a promoção da paz”.

Mil anos atrás
Por ser um das capitais escandinavas mais antigas, sua história remonta mil anos atrás, quando os primeiros estabelecimentos foram construídos na entrada do fiorde de Oslo. Após o grande fogo que destruiu a cidade em 1624, o rei dinamarquês Christian IV decidiu reconstruir a cidade no tijolo e na pedra, e deu à cidade o nome Christiania. Trezentos anos mais tarde, em 1925 portanto, os cidadãos decidiram rebatizar a cidade, que ganhou o nome que leva até hoje.

A população do país é pequena, somando cerca de cinco milhões de habitantes. Para se ter uma idéia, só a cidade de São Paulo tem quase 20 milhões! Como não é um destino muito procurado por estrangeiros, não é necessário visto, a não ser que o objetivo seja permanecer mais de 90 dias. Já Oslo tem 500 mil habitantes e a cidade é caracterizada por uma mistura de arquitetura velha e nova, de parques, montes, museus, monumentos, lagos, florestas e do fiorde.

Como há pouca gente, apenas em Oslo os visitantes se deparam com pessoas nas ruas. Por dentro do país (andei por uma hora e meia para fora da cidade) é ainda mais pacato, não se vêem pessoas passeando nas ruas. Aliás, isso é muito comum nas cidades européias que não são as grandes metrópoles. Os moradores da cidade, principalmente no verão, aproveitam os dias de sol para ficar fora de casa, fazer piquenique nas praças e parques. Com pele, cabelos e olhos claros (mais uma herança dos vikings, já que não houve miscigenação), os noruegueses mudam completamente as suas rotinas nos meses quentes.

Dicas de passeios
Catedral de Oslo (Domkirke) – Igreja do século 17 localizada no coração da cidade.

Royal Palace Real (Slottet) – é uma grande estrutura localizaliza na rua principal. O palácio é a residência oficial da monarquia norueguesa desde 1849. Os visitantes podem fazer um tour no prédio.

Historisk Museum - história norueguesa da idade da pedra até o período medieval, passando pela era viking.

Nasjonalgallerriet - galeria de arte com obras de Munch, como “The Sick Child” e “The Scream” (“O Grito”). Há também exemplares de Picasso, Monet, Cézanne, Renoir, Manet, Rodin.

Hjemmefrontmuseet Norges (Museu da Resistência Norueguesa) - mostra desde o dia da invasão nazista na Noruega até a queda de Hitler. Há fotos, documentos, gravações, pôsteres.

Arkershus Slott - castelo reconstruído por conta de batalhas que aconteceram por ali.
Vigelandsparken – um dos 400 parques da cidade, tem mais de 200 esculturas de Gustav Vigeland representando os vários estilos da vida humana.

Kon-Tiki Museet - expõe o barco de papiro Ra II feito pelo navegador norueguês Thor Heyerdahl utilizado na travessia do Atlântico.

Frammuseet - expõe o navio Fram, utilizado em diversas expedições árticas.

Sjofartsmuseum (Museu Marítimo) - barcos em miniatura e vídeo projetado num telão mostrando um sobrevôo pelas Ilhas Lofoten.

Vikingskipshuset (Museu do Barco Viking) - São três barcos vikings achados em uma escavação, sendo dois deles em bom estado de conservação. O mais imponente chama-se Oseberg e serviu para enterrar uma rainha e seus utensílios, hoje expostos no fundo do museu.

Norsk Folkemuseum (Museu da Cultura Histórica Norueguesa) - São diversas casinhas típicas norueguesas dos séculos 17 e 18 dispostas em ordem cronológica e ambientadas como na época em que foram construídas.