terça-feira, 24 de julho de 2012

Pequim, China

Grande Muralha da China se estende até os olhos perderem de vista

A decisão de atravessar o mundo para conhecer a China não é fácil. Já havia pensando em ir para a Austrália, conhecer suas praias, lugares bonitos e gente simpática, que também fica, literalmente, do outro lado mundo. Porém, nunca imaginei que passaria 30 dias na comunista China, com sua culinária nada convencional.

Nas minhas últimas férias contrariei qualquer expectativa e, quando me dei conta, estava fazendo as malas e embarcando para Xangai, uma das portas de entrada para o país. Primeiro destino seria uma província que nunca tinha ouvido falar. Chongqing, já ouviu? Este local, que não sabia existir, no enorme mapa do terceiro maior país do planeta, pasme!, é a maior província do mundo! Chongqing, no Centro Oeste da China, tem 37 milhões de habitantes.

Cidade Proibida, um dos passeios imperdíveis
 
Primeira parada - Pequim
O que tem para fazer em Pequim, ou Beijing, como dizem os chineses, capital da gigante China? Na cidade, escolhi o albergue a fim de ter companhia, comida internacional e banheiro ocidental. Isso porque a comida chinesa que estamos acostumados a comer no Brasil não é a mesma que é servida em Pequim. A que conhecemos só é encontrada na região do Cantão. Em Pequim, a comida é muito mais apimentada. Nem o McDonald’s se livra da pimenta. O único combo é o Big Mac, este igual no mundo inteiro. O prato mais famoso é o Pato de Pequim.

O banheiro também é diferente. O vaso é no chão e não como estamos acostumados. As mulheres precisam ficar de cócoras para fazer xixi, por exemplo. São poucos os locais adaptados, principalmente após a Olimpíada de 2008, quando o país recebeu centenas de milhares de turistas ocidentais para o evento esportivo.

Por ser a capital e destino de muitos turistas, em Pequim os ocidentais não chamam tanto a atenção como em Chongqing. No interior, os  moradores apontam os turistas nas ruas, por reconhecerem seus olhos amendoados. E conversam, puxam assunto e querem saber de onde você é, o que faz da China. De qualquer maneira, dificilmente um ocidental passa despercebido. A comunicação em Pequim é difícil. Poucas pessoas falam inglês, mas a mímica resolve. Principalmente porque os chineses têm boa vontade.

Fica a uma hora de Pequim a Grande Muralha da China, maior construção feita pelo homem que se extende por mais de oito mil quilômetros e teve como objetivo proteger o país durante a China Imperial. Na verdade, a Grande Muralha são diversas muralhas, construídas durante várias dinastias ao longo de dois milênios (começou em 221 a.C. e terminou no século 15, durante a Dinastia Ming).

É possível acessar a muralha em três pontos: Badaling, a 80 quilômetros de Pequim, o ponto mais perto e, portanto, mais cheio. Mutianyu fica a 100 quilômetros e é mais vazio. E Jinshanling está a quase três horas da cidade e é pra quem gosta de aventura! Para subir Mutianyu, a opção que escolhi, há como ir de escada ou pegar o teleférico, muito mais divertido e permite ao viajante apreciar o visual do alto.

Chegando lá, é surreal! A construção continua até os olhos perderem de vista, como se não tivesse fim! Andei, andei, sem parar. Na entrada, há um mapa com dicas do que poderá ser visto. Escolhi o lado esquerdo e andei, andei, sem parar. A altitude, somada ao frio do fim do outono,  além do vento que soprava, era de doer os ouvidos. Mas eu estava na Grande Muralha e o zumbido não me faria parar de andar, apreciar a paisagem e ouvir diálogos do mundo inteiro. E chinesas belíssimas posando para o fotógrafo durante ensaio de moda.

Se subir de teleférico é divertido, escorregar do alto em tobogans especiais, em alta velocidade, é diversão garantida! A descida leva uns 10 minutos e o carrinho lembra aqueles usados pelos personagens do filme “Jamaica Abaixo de Zero”. Na saída da Muralha, é a hora de apreciar a culinária. Como vai muitos turistas, eles economizam na pimenta.

A capital mais antiga do nosso calendário revela sítios e vestígios históricos e culturais, como o Palácio Imperial e o Palácio de Verão. Há ainda a Cidade Proibida e a Praça da Paz Celestial que, para chegar lá, é preciso passar por uma segurança que tem detetor de metais.

Ninho do Pássaro, palco da abertura da Olimpíada
Outro passeio divertido é o Ninho do Pássaro, palco da abertura dos Jogos Olimpícos de 2008. O local é aberto ao público e o visitante pode conhecer o lado de dentro.

O dinheiro chinês é o Renminbi ou RMB. Em novembro de 2011, um real era capaz de comprar 4 RMB. Hoje, diminuiu para 3 RMB. Mesmo assim é fácil se sentir rei no país. Para compras, o ideal é Yashow, um mercado enorme, como se fosse a matriz da rua 25 de março, o comércio popular de São Paulo. É possível encontrar de tudo. São sete andares com muita coisa, incluindo roupas e cacarecos de toda sorte, além de cosméticos e acessórios. O único porém é a origem do produto que, muitas vezes, é falsificado ou genérico.

Uma dica: jamais pague o preço que eles pedem. Jamais! Esse lugar é conhecido pela pechincha. Assim, reserve paciência e pechinche. Por  exemplo: uma calça custa, a princípio, 1.200 RMB. Mas pode chegar a 130 RMB.

Bem próximo, na Sanlintun, bairro das embaixadas, está o comércio de luxo, com grifes europeias e norte-americanas, como Lanvin, Alexaner McQuenn, Montblanc, Apple, Miu Miu, Balenciaga, Versace, Emporio Armani, Furla, Loubotin e outras, que provam que os chineses não estão brincando de serem consumistas.

Barraca onde é possível encontrar espetinhos de escorpião

Na estação de metrô Wang Fu Jing está a culinária esquisita de Pequim. Escopião, barata, lagartixa não são coisas que eles comem  normalmente. Vi até chineses se espantando com as iguarias. Mas provar, nem pensar!

Outro passeio interessante é o Temple of Heaven, um complexo de construções religiosas visitado por imperadores das dinastias Ming e Qing para cerimônias anuais de oração para o céu para boa colheita. Boa pedida para você também pedir o que quer!

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Revista Four Seasons

Vista da Penthouse do Four Seasons Nova York

Para atender a demanda dos brasileiros que estão viajando mais do que nunca, a rede de hotéis Four Seasons lança, em português, a Revista Four Seasons, um portal na internet com informações sobre os destinos favoritos dos brasileiros, como Los Angeles, Miami, Nova York, Buenos Aires, Lisboa, Londres, Paris, Milão, entre outros. “O objetivo do portal é informar e inspirar os visitantes com informações sobre viagens, gastronomia, SPA e esporte”, diz Susan Helstab, vice presidente executiva de marketing da companhia.

O site não traz apenas as informações sobre o hotel, mas de todo entorno, com dicas de promoções, compras, restaurantes e os preciosos toques do concierge – que sempre sabe as últimas novidades.
Além do portal, os usuários do Twitter agora contam com o endereço oficial, com dicas sobre destinos e tendências, além de interagir com seus seguidores.

Entre as unidades que mais receberam brasileiros no ano passado está o francês George V e o Four Seasons Hotel New York, cuja suíte mais cara, a Ty Warner Penthouse. A vista de 360° da cidade é um dos destaques, além de nove quartos, biblioteca, personal trainer, mordomo e outros mimos. O room service tem assinatura do L’Atelier, restaurante estrelado pelo guia Michelin. A diária com tudo incluso custa 35 mil dólares.

Fundado em 1960, Four Seasons possui 86 propriedades espalhadas em 35 países e mais de 50 projetos em desenvolvimento.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Praia do Forte

Como tudo é superlativo, o hóspede recebe um mapa para circular no Iberostar

Está marcada para 2014 a inauguração de um hotel superexclusivo na Praia do Forte, litoral norte da Bahia (localizado no município de Mata de São João), a cerca de uma hora do Aeroporto Internacional Luis Eduardo Magalhães, em Salvador. A iniciativa é do Iberostar, rede espanhola de hotéis que já possui outros dois resorts no mesmo complexo: Bahia e Praia do Forte, inaugurado em 2008, dois anos depois do primeiro.

Ainda que o resort superexclusivo não esteja pronto, o Iberostar Praia do Forte não deixa nada a desejar. Ele ocupa a categoria premium cinco estrelas e oferece 536 apartamentos, de 46 m², equipados com TV LCD 32 polegadas, minibar, acesso à internet (pago à parte), cafeteira. Se por dentro é tudo isso, do lado de fora é um espetáculo. Isso porque quase todos os apartamentos têm vista voltada para o mar azul baiano, cuja praia é rodeada por coqueiros, formando uma paisagem de perder o fôlego nas primeiras luzes da manhã. Basta abrir a cortina da suíte e se deparar com a maravilha que está aos pés do hóspede, que ainda conta com todo tipo de luxo e conforto que um resort pode proporcionar.

Como tudo por aqui é superlativo, assim que o hóspede realiza o check-in já recebe um mapa com as dependências do hotel, onde ficam os restaurantes, o local para retirar as toalhas de piscina etc. Nessas informações também estão disponíveis os horários de funcionamento de cada restaurante. Ótimas dicas para não se perder e dar de cara com um deles fechado. A questão é que, se um estiver fechado, sempre existe outra opção.

Resort conta com seis piscinas com bordas infinitas
Além da praia em frente, de areia grossa e muita brisa, há opção mais cômoda, a preferida pelos brasileiros: seis piscinas com bordas infinitas que, juntas, somam 4 mil metros quadrados. Com o calor que faz na região, inclusive no outono, com certeza é um dos locais mais disputados pelos visitantes que ocupam, durante o ano todo, média de 70% dos apartamentos disponíveis.

Com sistema all inclusive, o hóspede não precisa se preocupar com nada. Café da manhã é servido no restaurante Pelô. Em sistema de bufê, as opções são incontáveis. Todos os quitutes são preparados pela própria cozinha do hotel. Como fiquei hospedada no Iberostar Praia do Forte apenas durante um final de semana, seriam necessários uns 10 dias para provar todas as guloseimas servidas na primeira refeição do dia! São pães de tudo quanto é tipo, frios, frutas, iogurtes, tapioca com recheios doces e salgados, croissants, geleias, sucos, vitaminas…

Para o almoço, há duas opções: o bufê novamente no Pelô, ou os pratos leves do restaurante Maresia, localizado mais próximo à piscina e perfeito para refeições. O bar molhado, como é conhecido o Yemanjá, fica dentro de uma das piscinas, do “lado agitado”, serve bebidas com e sem álcool. Companhia perfeita para aproveitar os finais de tarde, dentro da piscina, com o calor de 30ºC que faz na cidade.

Para jantar, porém, as opções são muitas. Além do bufê do Pelô e do Maresia, o cliente ainda tem a opção de três restaurantes temáticos: Do Lago (especializado em cozinha francesa), Odoyá (culinária típica baiana), Mai Tai (culinária oriental). Para frequentá-los é preciso fazer reserva. Dependendo da quantidade de noites de hospedagem, o cliente pode escolher de duas a três opções.

O francês é o único que exige etiqueta de vestimenta. Homens só entram vestidos com calça e sapatos fechados. A mesma exigência não é feita para os demais. Apenas que não estejam vestindo roupa de banho…

O serviço é de primeira. O cardápio, no caso do restaurante Do Lago, oferece três opções de entrada e três de sobremesa. Para o prato principal, são três de carne e três de peixe. Para degustar, vinho tinto, branco ou espumante. E, para acompanhar com a sofisticação do ambiente, não é permitida a entrada de crianças menores de 12 anos. Até porque dificilmente os pratos vão agradar o paladar delas.

Já no Odoyá, a entrada é servida em sistema de bufê, assim como a sobremesa. E opções não faltam: casquinha de siri, bolinho de bacalhau, mandioca frita (aqui chamada de aipim, mas também conhecida como macaxeira), acarajé com vatapá. Para o prato principal, há outras opções, principalmente os preparados com frutos do mar. E, se ainda quiser cear antes de voltar para o quarto, o Maresia oferece snacks o dia todo, mas à noite as guloseimas passam a ser servidas no Pelô. No frigobar, só há bebidas: cerveja, água, refrigerante. Mas ainda há o serviço de quarto, com opções de lanches para saciar a fome fora de hora – se isso for possível!


Mudança de perfil
Rede espanhola, o Iberostar foi inaugurado no Brasil em 2005 (com inauguração do Grand Amazon, cruzeiro cinco estrelas que navega no Rio Amazonas). A maioria dos hóspedes era formada por turistas europeus. Era. Depois da crise mundial, que se instalou a partir de 2008, o perfil dos frequentadores do resort mudou.

Os brasileiros passaram a tomar conta da maioria dos apartamentos. É claro que os europeus não foram totalmente embora. Os mais assíduos são os alemães, os franceses e os americanos, que não abrem mão da mordomia. No final de semana no qual estive lá era possível observar famílias alemãs e outras estrangeiras desfilando suas roupas de banho na praia e se bronzeando nas espreguiçadeiras da piscina ao final da tarde sob um calor tipicamente baiano de 29ºC em pleno outono nordestino.

A diversão para as crianças é garantida. Aqui há espaço para elas brincarem, pularem, participarem das brincadeiras organizadas pelos monitores do resort, e deixarem os pais à vontade para curtirem as férias. Para os pequenos, o miniclube é o espaço ideal, além da piscina rasa e do berçário (pago à parte). Os pais que preferirem podem optar pelo serviço de baby sitter (também pago à parte e por hora).

Bar Piatã: o destino dos hóspedes durante o dia todo

Lazer
Aos amantes de golfe, o campo com 18 buracos é a opção de lazer. Há golfistas que se hospedam no resort apenas para jogar, mas não é a maioria. Quem não tem noção de como manusear o taco, professores estão à disposição para dar aulas e ensinar as primeiras tacadas. Não é fácil, é verdade, muito menos sob o sol escaldante da Bahia, mas é um exercício divertido, até mesmo para que o hóspede não se sinta totalmente preso a apenas um local. Ainda que o hotel seja all inclusive, o golfe é pago à parte.

O mesmo acontece com a estrutura do SPA. Tanto as áreas úmidas, com as piscinas de águas mornas e quentes, como os tratamentos corporais e faciais são oferecidos à parte.

O SPA Sensations fica justamente no limite entre as unidades dos resorts Bahia e Praia do Forte. Por isso, pode ser desfrutado pelos dois públicos. Ao todo, são quase 2.700 metros quadrados, com nove salas de tratamento, piscina térmica coberta, sauna, hamman (banho turco), salão de cabeleireiros, loja, vestiários e academia de ginástica. Ao todo, são 20 tipos de massagens ou tratamentos oferecidos, como a massagem relaxante (perfeita para desestressar da correria da cidade). Os profissionais são treinados pela grife francesa Germaine de Cappuccini.

Depois de aprender direitinho o caminho entre a praia, o restaurante e o apartamento, e me acostumar com a gentileza e a hospitalidade  baianas, difícil é voltar para casa – e para o outono de São Paulo.

Iberostar Praia do Forte Rodovia BA 99 KM 56, Praia do Forte, Bahia, tel .: (71) 3676-4200

*A jornalista Tatiana Babadobulos se hospedou no Iberostar Praia do Forte a convite do resort

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Xangai

Xangai: uma das cidades mais novas da China que reserva surpresas encatadoras ao turista que procura por compras, passeios e boa comida!

Em Xangai, arquitetura moderna é destaque na cidade chinesa


Foi apenas em 1927 que Xangai ganhou o status de cidade. Cidade nova, portanto, para os padrões mundiais, sobretudo para a China, país que tem mais de quatro mil anos de história. A partir da dinastia Yuan, em 1292, Xangai era designada como um condado, administrado pela prefeitura de Songjiang. Antes disso, durante a dinastia Song (960-1279), Xangai era uma vila, com economia baseada na pesca e no setor têxtil, e ganhou status de cidade-mercado em 1074.

Xangai é uma das maiores cidade da China e um importante centro industrial e financeiro, principalmente por conta de seu grande porto, ganhando maior importância no século 19. O nome da cidade, grafado Shanghai, pode ser traduzido  como “no mar”. Por ser banhada pelo mar da China Oriental e por ficar junto à foz do rio Yang-Tsé, Xangai se desenvolveu.

A capital do país, Pequim, não tem a mesma importância financeira, tanto quanto tem Xangai. E, apesar da elevada densidade populacional, o custo de vida não se compara ao custo de quem vive em Hong Kong, por exemplo. Lá é tudo mais caro, ainda que Xangai seja mais cara que Pequim. Para se ter uma ideia da bandeirada do táxi, em Pequim é 10 yuan renmimbis, em Xangai 14 e, em Hong Kong, 20 dólares de Hong Kong. (Em 12 de abril de 2012, 10 yuan renmimbis equivalem a 2,89 reais e 12,30 dólares de Hong Kong.)

Xangai é mais cosmopolita que Pequim, mais moderna. A arquitetura é mais europeia, ao contrário da capital. Pequim possui muitos estrangeiros, mas a qualidade deles em Xangai é maior: gastam mais. As lojas de grife, principalmente europeia, estão por toda parte. Assim como é mais efervescente à noite, com restaurantes para todos os gostos.

Estive em Xangai por três dias, e foi do aeroporto de Pudong que partiu o meu voo de volta para o Brasil. Então, antes de começar a dura jornada sobre os mares, fiquei três dias no centro da cidade. Era fim de novembro, fazia frio e chovia assim que cheguei. Escolhi o Four Seasons Hotel, localizado próximo à Nanjing Road, para me hospedar. O atendimento foi dos melhores. E, para sair do hotel, a localização é excelente, já que é na Nanjing Road que estão diversas lojas e opções de restaurantes. E dá pra fazer tudo a pé.

Para ir mais longe, é fácil conseguir um táxi. Porém, como a comunicação fica complicada, já que os taxistas não falam inglês, o concierge do hotel escreve o endereço pretendido no idioma deles. E, para retornar, o mesmo cartãozinho contém o endereço do hotel. Perigoso, por se tratar de um cinco estrelas? Talvez, mas não tive problema nenhum e fui e voltei o tempo todo que quis.

Apenas uma experiência ruim com o taxista: quando mostrei o endereço de um restaurante que pretendia ir, o motorista me disse que não sabia chegar ao local e pediu que eu descesse e procurasse outro táxi. Quando contei o evento a uma gerente do hotel, ela me disse que essa prática é normal, e evita que o motorista fique dando voltas desnecessárias e enrolando o cliente. Ah…

Pois bem. Apesar de Xangai ter diversos estrangeiros zanzando por suas ruas e avenidas, nunca será suficiente para que você, ou eu, no caso, passe despercebido. Os ocidentais, de maneira geral, são sempre alvo dos chineses. Chamamos atenção por  nossos olhos amendoados por onde quer que passemos. E eles não têm pudor: vêm puxar assunto, com o inglês que estão aprendendo atualmente na escola. E querem saber de onde você vem: “Sou brasileira, ba xi da”, digo, no idioma deles. O grupo de adolescentes de Pequim, que passa férias em Xangai, cai na risada e quer saber o que uma garota como eu faço sozinha pelas ruas frias da cidade. “Estou em férias. E vocês, o que fazem a esta hora na rua?”, pergunto, já que estamos passeando sem destino pela Praça do Povo (People’s Square), no distrito Huangpu. Tal como em Pequim, a praça é protegida (existe uma passagem subterrânea para chegar lá), mas cheia de lagos, árvores e muita, muita gente. Em cinco minutos de conversa descobrimos as diferenças culturais, lembramos-nos do jogador Ronaldo (que eles pronunciam “Lonaldo”) e como essa troca é importante para ambos os lados.

Quando digo que vou ao museu, no mesmo distrito, uma das meninas diz que não é hora, que o melhor é acompanhá-los a um chá. Declino ao convite e sigo para o Museu de Xangai, onde, novamente, sou abordada por um jovem casal de chineses. Vivem em Xangai mesmo. Mas desta vez aproveito o papo e peço para tirar fotos minhas em frente ao monumento. Várias, digo. E, entre um clique e outro, conversamos um pouco sobre o Brasil, São Paulo e a vida de turista na China.

Porcelana é um dos itens do Museu de Shanghai


No museu, pude conhecer um pouco da antiga arte chinesa nos quesitos porcelanas e mobiliário, por exemplo. Há trajes típicos, papiros e outros objetos em exposição. E muita gente, é claro.
O atual prédio do museu, localizado na People’s Avenue, foi construído em 1993 e inaugurado em 12 de outubro de 1996. O projeto tem assinatura de um arquiteto local, que traz topo redondo e a base quadrada, simbolizando o antigo conceito chinês do mundo como “céu redondo, terra quadrada”.

Ao todo, são mais de 120 mil peças, incluindo bronze, cerâmicas, caligrafia, mobiliário, jades, moedas antigas, pinturas, esculturas, arte das minorias e da arte estrangeira divididas em 11 galerias e três salas para exposições temporárias.

Outro passeio interessante é o Old French Concession, que fica em Puxi Central (distrito de Huangpu), com as lojinhas de souvenires e perfeitas para quem busca porcelana, principalmente jogos de chá completos.

As lojas de grife, como Louis Vuitton, Ermenegildo Zegna, Cartier, Tiffany & Co., a francesa Sephora ficam próximas à disputada Apple, loja de dois andares na galeria Kong Kong Plaza, que fica no número 282 da Huaihai Zhong Road.

Adega do Kartel oferece cerca de 250 rótulos de vinhos


Badalar
O Kartel é um wine bar que funciona no quinto e último andar de um prédio em Shanghai French Concession, um bairro que mistura residências com comércio em uma convivência harmoniosa, com prédios de arquitetura que misturam estilos europeu e chinês. E os dois designers responsáveis pelo ambiente, Thomas Dariel e Benoît Arfeuillere (do Dariel Studio), queriam brincar com esses contrastes, para ser elegante e provocar a herança do distrito onde está localizado.

No final de novembro, quando fazia muito frio e chovia na cidade, o terraço não pode ser usado, mas o lado de dentro é extremamente confortável, com decoração despojada e moderna, com paredes de concreto expostas, mostrando o aspecto da arquitetura original do ambiente. Antigas banheiras fazem às vezes de sofás, e os chuveirinhos remetem ao utensílio de banho. O mobiliário também é bem cuidado, com influências asiáticas e europeias, como a cadeira que remete à Dinastia Ming (1368-1644).

No bar, toca jazz bem agradável, além da incrível vista da cidade. Kartel existe há menos de seis meses em Xangai e o responsável é Vincent Landais, um francês que vive há três anos na cidade. Os coquetéis são de autoria de Sebastien Bornefois, que veio do Bar Rouge, um dos mais badalados de Xangai. De vinho, ao todo são 250 rótulos, mas a carta vai mudando. Nas mesas, a rotatividade é grande e metade dos frequentadores é ocidental. O sommelier, que veio do sul da França, viveu quatro anos em Nova York. “Vi a oportunidade e resolvi tentar. Não tenho vontade de voltar para a França neste momento”, conta Landais. “É bom viver ‘over seas’. Amo o meu país, mas não pretendo voltar.”

Ele conta que veio para Xangai a convite de um amigo, que queria um embaixador do vinho. “Aqui há tradições e muitas pessoas. É como Nova York há 20 anos. E a cidade precisa de tudo pra continuar crescendo. Pensei em abrir um wine bar, já que não havia. Há muita coisa a ser feita na cidade. Tóquio é ainda o melhor lugar para se comer. Mas talvez Xangai chegue lá”, acredita.

Qin The SPA é uma das delícias descobertas do Four Seasons Shanghai


Onde ficar
Four Seasons Hotel Shanghai é um dos pontos de encontro dos executivos que frequentam a cidade. Estrutura para atendê-los é que não falta, incluindo o business center e um restaurante no último andar perfeito para os coffee breaks. O café da manhã, em sistema de bufê, é uma ótima pedida. Os garçons são atenciosos, incluindo um deles que vinha me perguntar sobre a programação do dia. Foi ele, aliás, quem me recomendou o museu, principalmente por conta da chuva.

O restaurante chinês do Four Seasons, o Si Ji Xuan, oferece almoço com uma larga seleção de pratos; no jantar, há opções de especialidades chinesas e frutos do mar frescos. No menu, está a culinária cantonesa, ou seja, aquela que estamos mais acostumados e é menos condimentada do que usualmente é no restante na China. Há ainda o Steak House, em estilo ocidental, que funciona apenas no jantar e traz cortes de carne, frutos do mar e uma extensa seleção de saladas.

Outro serviço importante do hotel é o SPA, que acaba de ser reformado e é um  verdadeiro deleite, principalmente para melhorar os efeitos colaterais do jet lag. Qin The SPA é um santuário urbano que oferece tratamentos corporais e faciais, incluindo para casais. Ao todo, são mais de 35 tratamentos de beleza inspirado em rituais antigos e métodos de tratamento da tradicional medicina chinesa. Há ainda service de manicure e pedicure, espaço para consulta de acupuntura, além de reflexologia. Há ainda saunas separadas para homens e mulheres, salão de cabeleireiro que funciona em um andar diferente. Tudo para que o hóspede se sinta completo. E em casa, mas sem esquecer que está desfrutando de serviços cinco estrelas. Simples assim!

Four Seasons Hotel Shanghai 500, Weihai Road, tel.: 86 (21) 6256-8888
Kartel 1, North Xiangyang Road, 5º andar, Xangai
Shanghai Museum 201, People’s Avenue, Xangai, tel.: 86 (21)6372-3500